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Para designar a imaginação, a autora vale-se de inúmeras...

Leia o TEXTO 2 para responder às questões de 43 a 45.

Estrelas e quimeras

A imaginação é razão de viver. Aciona a voracidade e não tem fim. É um tapete que estendo ao longo da escalinata da Piazza di Spagna a pretexto de chegar às portas do Hades.

Espécie de caixa que enfeixa segredos, sacia a fome, cede pedaços da matéria capaz de me salvar. São côdeas de pão, pedaços de vidro, bilhete amarfanhado, tudo que não renega a origem humana.

Desde a infância exagero em prol de um mundo nítido, transparente. Apelo para certos exercícios a fim de que a voragem da invenção me dê alento. É um processo sem interrupções. Já ao primeiro gole de café intuo haver uma fórmula que, graças à sua combustão natural, aqueça a imaginação, pague o suor coletivo com as moedas ganhas no jogo de azar.

Atraio os tesouros para a casa sempre que refuto as versões oficiais. Pois que, quando me ajusto ao fracasso, corro o risco de atar-me ao penhasco à espera dos pássaros que biquem meu fígado.

Sou quem depende das franquias alheias para viver, que são as crueldades e as maravilhas inerentes da loucura humana. Claro que tal condição afeta os efeitos da realidade no meu cotidiano. Acato, porém, esse transbordamento que me leva a atravessar a fronteira moral que Dante estabeleceu para punir adversários.

A qualquer hora, em especial ao cair da noite, sou propensa a identificar a imaginação. Graças a tal exercício é fácil ver os Campos Elíseos, mais belos do que eu supunha, com a mirada emprestada por Virgílio, ou pelo próprio Eneias, em busca do pai, Anquises. Mas logo a própria imaginação desfaz a visão do Hades. Sofro tal golpe, mas consola-me perpetuar na minha memória os seres amados que já partiram. Sobra-me ainda a ilusão de esquivar-me do inferno, que o ilustre florentino concebeu. De olhar a salvo o firmamento povoado de estrelas e quimeras.

(PIÑON, Nélida. Uma furtiva lágrima. Rio de Janeiro: Record, 2019, p. 12-13.)

Para designar a imaginação, a autora vale-se de inúmeras alegorias responsáveis pela estética criativa e pela feição poética do texto.

Dos trechos extraídos abaixo, aquele em que NÃO há alegoria para designar a imaginação é:


A

“É um tapete que estendo ao longo da escalinata da Piazza di Spagna a pretexto de chegar às portas do Hades” (1º §).


B

“Espécie de caixa que enfeixa segredos, sacia a fome, cede pedaços da matéria capaz de me salvar” (2º §).


C

“São côdeas de pão, pedaços de vidro, bilhete amarfanhado, tudo que não renega a origem humana” (2º §).


D

“Sofro tal golpe, mas consola-me perpetuar na minha memória os seres amados que já partiram.” (6º §).


E

“De olhar a salvo o firmamento povoado de estrelas e quimeras” (6º §).