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Mas é uma queda relevante. (linha 3)A conjunção “mas” no...

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Q1214268
Teclas de Atalhos
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Ano: 2019
Prova: IDECAN - IFAM - Bibliotecário Documentalista - 2019

Texto para as questões 1 a 10

A tragédia social dos homicídios

O Estado do Rio de Janeiro teve, no primeiro bimestre deste ano, o menor número de homicídios dolosos desde o

início da série histórica, em 1991. Não que seja um índice para se aplaudir em cena aberta: foram 705 homicídios, uma média

de um assassinato a cada duas horas. Mas é uma queda relevante. Em 1991, o mesmo bimestre teve 1.389 mortes; é uma

queda de mais ou menos 50% em 28 anos. Nesse ritmo, o estado chegará a padrões civilizados de homicídios lá pela década

5 de 2070.

Mas quando e onde se morre mais? E qual é o perfil da vítima de homicídio? Algumas ferramentas permitem

responder a essas perguntas.

Os dados deste ano podem ser vistos no sistema de visualização de dados do Instituto de Segurança Pública (ISP).

Mata-se mais no fim da noite, entre 22 horas e meia-noite, e o panorama fica pior no fim de semana. Nos primeiros dois

10 meses deste ano, as regiões com mais mortes foram a Baixada Fluminense e o interior do estado. Na Cidade do Rio, os

homicídios despencaram quase 51% na comparação com o mesmo bimestre de 2018.

O perfil da vítima pode ser analisado nos microdados fornecidos pelo ISP. Analisando-se os dados de quatro anos

de mortes (2015 a 2018), é possível tirar algumas conclusões. Há mais homicídios, realmente, nos fins de semana, com

predomínio do sábado. A maior quantidade de homicídios acontece de noite, seguida pela madrugada; à tarde é quando

15 menos se mata.

Homens são mortos com maior frequência do que mulheres, numa proporção de 11 para um. Pardos e negros são

mais assassinados que brancos, numa proporção de três para um. Quando a profissão da vítima é identificada,

desempregados estão em primeiro lugar, seguidos por estudantes, desocupados e pedreiros. Em cerca de um quarto dos

casos, não há relação entre vítima e autor. Quando existe, companheiros (ou companheiras), vizinhos, amigos e irmãos são

20 os principais responsáveis pelo crime. Quanto à idade, estão em primeiro lugar, com folga, os jovens de 18 a 24 anos.

Homens, jovens, pardos ou negros, desempregados ou desocupados. Quando se sabe que os principais autores de

homicídios, analisados em grupo, são o tráfico e a milícia, esse perfil não chega a surpreender. E não estão entrando na

análise as mortes em confronto com a polícia, que acentuariam ainda mais essas características.

Em quatro anos, mais de 7 mil adolescentes e jovens até 24 anos foram mortos no Rio. Se incluirmos os adultos até

25 30 anos – ou seja, pessoas no início de sua idade produtiva – temos mais de 10 mil mortos entre 2015 e 2018. E apenas no

Rio de Janeiro. Espalhe essa tragédia pelo país, em maior ou menor grau, e pelos últimos 20, 30 anos, e é possível vislumbrar

o tamanho da desgraça humana, econômica, social e previdenciária que despencou sobre o Brasil com o peso de uma

bigorna. Segundo dados do Ipea, entre 1996 e 2016, quase 574 mil jovens entre 15 e 29 anos foram mortos no país. Só 46

municípios, dos 5.570 do país, têm mais de meio milhão de habitantes.

30 Os jovens mortos dessa estatística não eram criminosos que trocaram tiros com a polícia. São vítimas. Meninos e

meninas, rapazes e garotas cujo espectro quase infinito de possibilidades virou um monólito de certezas, todas negativas. Não

terão filhos. Não trabalharão. Não vão casar nem comprar uma casa, nem carro, nem nada. Não pagarão impostos. Não

envelhecerão. Somos uma sociedade que está assassinando seu futuro.

(Giampaolo Morgado Braga. Época. 27 mar 2019, com adaptações.)

Mas é uma queda relevante. (linha 3)


A conjunção “mas” no período acima não tem o mesmo valor semântico que


A

conquanto.


B

porquanto.


C

não obstante.


D

embora.


E

no entanto.