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Levando-se em consideração as recomendações da gramática...

Com base na leitura do texto de Millôr Fernandes, assinale a alternativa que completa corretamente as questões de 01 a 09.

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Millôr Fernandes

1 Quando os eruditos descobriram a língua, ela já estava

2 completamente pronta pelo povo. Os eruditos tiveram apenas que proibir o

3 povo de falar errado.

4 No princípio era o verbo. Defectivo, naturalmente.

5 Como não é machista, sempre que a frase tem maioria de mulheres o

6 autor usa o pronome feminino [comentando a frase: "Ivan Pinheiro Machado,

7 com as editoras Fernanda Veríssimo e Jó Saldanha tomaram para elas

8 próprias..."].

9 Entre o porque e o por quê há mais bobagem gramatical do que

10 sabedoria semântica.

11 Por quê? É filosofia. Porque é pretensão.

12 Está bem, lingüista, se dois é ambos, por que três não é trampos?

13 As palavras nascem saudáveis e livres, crescem vagabundas e

14 elásticas, vivem informes, informais e dinâmicas. Morrem quando contraem o

15 câncer do significado definitivo e são recolhidas ao CTI dos dicionários.

16 Devemos ser gratos aos portugueses. Se não fossem eles estaríamos

17 até hoje falando tupi-guarani, uma língua que não entendemos.

18 É evidente que no princípio foi a interjeição, insopitável pelo espanto

19 diante do fogo, do raio. Depois foi o substantivo para designar a pedra e a

20 chuva. E logo o adjetivo, que fazia tanta falta para ofensas. Mas eles

21 continuam insistindo em que no princípio era o verbo.

22 Que língua, a nossa!

23 A palavra oxítona é proparoxítona.

Extraído do livro:
Millôr definitivo: a bíblia do caos.
Porto Alegre: LP&M, 2000. 524 p.
Disponível em: http://revistalingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=10877.

Levando-se em consideração as recomendações da gramática normativa, é verdadeiro afirmar que


A

o enunciado “ela já estava completamente pronta pelo povo” (linhas 1-2) apresenta um desvio de concordância.


B

o verbo “haver”, em “há mais bobagem gramatical do que sabedoria semântica” (linhas 9-10), indica tempo transcorrido, por isso está no singular.


C

se deve grafar “porque” junto quando se tratar de uma conjunção causal; já “por” e “que” são separados toda vez que o “que” tiver função de pronome relativo.


D

se deve usar o pronome feminino sempre que a frase tem maioria de mulheres, como em “Ivan Pinheiro Machado, com as editoras Fernanda Veríssimo e Jó Saldanha tomaram para elas próprias” (linhas 6-8).