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Há predicado verbal na oração da alternativa:

AS QUESTÕES DE 1 A 15 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO


TEXTO


1 A escravidão contemporânea é diferente daquela que existia até o final do século 19, quando o

2 Estado garantia que comprar, vender e usar gente era uma atividade legal. Mas é tão perversa quanto, por

3 roubar do ser humano sua liberdade e dignidade. E ela não se resume à terra de ninguém que é a região de

4 expansão agrícola amazônica, mas está presente nas carvoarias do cerrado, nos laranjais e canaviais do

5 interior paulista, em fazendas de frutas e algodão do Nordeste, nas pequenas tecelagens do Brás e Bom Retiro,

6 da cidade de São Paulo.

7 A nova escravidão é mais vantajosa para os empresários que a da época do Brasil-Colônia e do

8 Império, pelo menos do ponto de vista financeiro e operacional. O sociólogo norte-americano Kevin Bales,

9 considerado um dos maiores especialistas no tema, traça em seu livro “Disposable People: New Slavery in the

10 Global Economy” (Gente Descartável: A Nova Escravidão na Economia Mundial), paralelos entre esses dois

11 sistemas.

12 Antigamente, a propriedade legal era permitida, hoje não. Mas era muito mais caro comprar e

13 manter um escravo do que hoje. O negro africano era um investimento dispendioso que poucas pessoas

14 podiam ter. Hoje, o custo é quase zero - paga-se apenas o transporte e, no máximo, a dívida que o sujeito tinha

15 em algum comércio ou hotel. Além do fato de que, se o trabalhador fica doente, é só largá-lo na estrada mais

16 próxima e aliciar outra pessoa. O desemprego é gigantesco no país, e a mão-de-obra, farta.

17 Na escravidão contemporânea, não faz diferença se a pessoa é negra, amarela ou branca. Os

18 escravos são miseráveis, independentemente de raça. Porém, tanto na escravidão imperial quanto na do Brasil

19 de hoje, mantém-se a ordem por meio de ameaças, terror psicológico, coerção física, punições e assassinatos.

20 Ossadas têm sido encontradas em propriedades durante ações de fiscalização, como na fazenda de Gilberto

21 Andrade, família influente da região Sul do Pará.

22 Não há estatística exata para o número de trabalhadores em situação de escravidão no país.

23 Estima-se que sejam entre 25 mil e 40 mil, de acordo com número da Comissão Pastoral da Terra (CPT) –

24 órgão ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, e a mais importante entidade não-governamental

25 que atua nessa área – e da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

26 A forma de trabalho forçado mais encontrada no país é a da servidão, ou “peonagem”, por dívida.

27 Nela, a pessoa empenha sua própria capacidade de trabalho ou a de pessoas sob sua responsabilidade (esposa,

28 filhos, pais) para saldar uma conta. E isso acontece sem que o valor do serviço executado seja aplicado no

29 abatimento da conta de forma razoável ou que a duração e a natureza do serviço estejam claramente definidas.

30 E não é apenas o cerceamento da liberdade que configura o trabalho escravo, mas sim uma série

31 de etapas. Segundo Ela Wiecko de Castilho, subprocuradora-geral da República e professora de direito penal

32 na Universidade de Brasília e na Universidade Federal de Santa Catarina, o processo inclui: recrutamento,

33 transporte, alojamento, alimentação e vigilância. E cada qual com a existência de maus-tratos, fraudes,

34 ameaças e violências física ou psicológica.

35 As primeiras denúncias de formas contemporâneas de escravidão no Brasil foram feitas em 1971

36 por dom Pedro Casaldáliga, na Amazônia. Sete anos depois, a CPT denunciou a fazenda Vale do Rio

37 Cristalino, pertencente à montadora de veículos Volkswagen e localizada no sul do Pará. O depoimento dos

38 peões que conseguiram fugir a pé da propriedade deu visibilidade internacional ao problema.

39 Outro exemplo de envolvimento de grandes empresas é o das fazendas reunidas Taina Recan, em

40 Santa do Araguaia, e Alto Rio Capim, em Paragominas, ambas no Pará, pertencentes ao grupo Bradesco,

41 onde, entre as décadas de 70 e 80, foram encontrados trabalhadores reduzidos à condição de escravidão. O

42 governo acaba envolvido indiretamente com o trabalho forçado quando financia empresas que se utilizam da

43 prática. A Superintendência para o Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), por exemplo, bancou a

44 Companhia Real Agroindústria e as fazendas Agropalma, também no Pará, pertencentes ao Banco Real, em

45 que foram encontradas irregularidades no início da década de 90. Tudo isso é fruto da política de

46 desenvolvimento adotada durante a ditadura militar, de incentivar os grandes empreendimentos na região

47 amazônica, que fechou o olho para os direitos humanos e trabalhistas. Quem protestava ou reivindicava era

48 preso e torturado.

49 Apesar de as convenções internacionais de 1926 e a de 1956, que proibiam a servidão por dívida,

50 entrarem em vigor no Brasil em janeiro de 1966, o país demorou para criar um mecanismo para combatê-la. O

51 que veio a acontecer apenas em 1995, quando foram instituídos os grupos móveis de fiscalização. Essas

52 equipes, coordenadas pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) do Ministério do Trabalho e Emprego,

53 respondem diretamente a Brasília, são acompanhadas de policiais federais e contam com o suporte do

54 Ministério Público do Trabalho e da Justiça do Trabalho.

55 O Plano Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo, lançado no início de 2003, reúne 76

56 medidas de combate à prática. Entre elas, projetos de lei como o que expropria terras em que for encontrado

57 trabalho escravo e transfere para a esfera federal os crimes contra os direitos humanos, limitando assim as

58 influências locais nos processos. A implantação do plano tem sido lenta e muitas vezes esbarra na falta de

59 verbas, pressão da bancada ruralista e na incapacidade do governo federal de liberar recursos para aumentar e

60 aparelhar a fiscalização.

61 Nos últimos meses, mudanças na legislação tornaram mais duras as penas para quem for pego

62 com trabalho escravo. Outros importantes instrumentos foram a determinação da suspensão no crédito

63 agrícola de quem foi condenado pela prática e a criação de 269 novas Varas do Trabalho, a primeira delas a

64 ser instalada em Redenção, sul do Pará. Vale ressaltar que o combate ao trabalho escravo avançou graças à

65 dedicação pessoal dos auditores do grupo móvel do Ministério do Trabalho e Emprego, mesmo com falta de

66 recursos financeiros, equipamentos, veículos que não quebrem em serviço e telefones que funcionem na

67 imensidão verde da Amazônia.

68 Mas mesmo fiscalização, multas, prisão dos envolvidos, cortes em linhas de crédito atacam as

69 consequências, deixando muitas vezes a causa em aberto. O trabalhador resgatado não vê opções para a

70 sobrevivência e acaba caindo de novo na armadilha. “Com terra para plantar não teria ido embora [da minha

71 terra]. Além disso, pessoa bem estudada não precisa sair, arruma emprego. Os outros têm de ir para o

72 machado mesmo”, afirma um trabalhador libertado. Escravidão no Brasil é sintoma de algo maior:

73 desigualdade.

74 “Os trabalhadores que vêm para cá são de locais onde a situação de pobreza é terrível. Se não

75 houver uma política de fundo para gerar emprego e renda e fixar a população nos seus Estados de origem, de

76 nada vai adiantar”, afirma José Batista Afonso, coordenador da CPT em Marabá. Uma efetiva política de

77 reforma agrária, acompanhada de juros baixos para o crédito rural e transferência de conhecimento.

78 Infelizmente, o que vemos hoje é uma grande quantidade de desempregados, reserva de contingente para o

79 trabalho forçado nas regiões de fronteira agrícola.


FONTE: https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Direitos-Humanos/Trabalho-escravo-no-Brasil-de-hoje/5/1045

Há predicado verbal na oração da alternativa:


A

“A escravidão contemporânea é diferente daquela” (L.1).


B

“que é a região de expansão agrícola amazônica” (L.3/4).


C

“A nova escravidão é mais vantajosa” (L.7).


D

“Antigamente, a propriedade legal era permitida” (L.12).