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“Um objeto qualquer do mundo mostra-se sempre perpassado...

Leia o excerto a seguir e responda às questões de 11 a 13.

“... o dialogismo é o modo de funcionamento real da linguagem, é o princípio constitutivo do enunciado. Todo enunciado constitui-se a partir de outro enunciado, é uma réplica a outro enunciado. Portanto, nele ouvem-se sempre, ao menos, duas vozes. Mesmo que elas não se manifestem no fio do discurso, estão aí presentes. Um enunciado é sempre heterogêneo, pois ele revela duas posições, a sua e aquela em oposição à qual ele se constrói.”

(FIORIN, 2011, p.16)

“Um objeto qualquer do mundo mostra-se sempre perpassado por ideias gerais, por pontos de vista dos outros [...]. Todo discurso que fale de qualquer objeto não está voltado para a realidade em si, mas para o discurso que a circunda. Por conseguinte, toda palavra dialoga com outras palavras, constitui-se a partir de outras palavras, está rodeada de outras palavras.” (FIORIN, 2011).

A partir dessa citação e sabendo que muitas expressões utilizadas no dia a dia são carregadas de ideologias socioculturais, imagine uma situação em que alguém comete uma manobra inábil no trânsito e, então, outro alguém diz: “é mulher!”. Essa expressão vem carregada de uma ideia pronta relacionada à mulher no trânsito, especificamente na condução de um veículo. Em situações semelhantes, é mais provável que o enunciador


A

simplesmente quis informar sobre um dado da realidade, ou seja, que a motorista é do sexo feminino.


B

esteja demonstrando admiração por mulheres que dirigem, demonstrando que as mulheres são dotadas de uma fibra incomum.


C

esteja desdenhando e manifestando um estereótipo do gênero, que inferioriza o sexo feminino.


D

pretendeu informar que é pessoa adulta, e não, por exemplo, uma adolescente ou criança que está dirigindo.


E

pretendeu corrigir alguém que, possivelmente, pronunciou o termo “mulher” de forma inadequada, por exemplo: muié.