Leia o texto para
responder às questões de
números 05 a 12.
Preconceito na escola
Não há um único dia em
que vários
preconceitos, dos mais
diversos tipos, não se expressem em
ambiente escolar. Aliás,
é no mínimo estranho que tenhamos tantas
preocupações e
campanhas contra o chamado bullying
na
escola e pouco ou
quase nada contra o preconceito. Afinal, a
maior parte dos
comportamentos de assédio moral* nasce de
preconceitos!
Recentemente tivemos
notícia de dois
episódios de preconceito na escola: o da
mãe que recebeu um bilhete da professora
pedindo para aparar ou prender os cabelos
dos filhos
(ambos negros) – fato ocorrido em nosso
país – e o da garota
negra lanchando sozinha ao lado de uma
mesa com vários
colegas brancos juntos – este, ocorrido na
África do Sul.
Muita gente se
indignou, mas muita gente
também não
viu nada de mais em ambos os casos.
Choveram justificativas e até acusações
para explicar as situações, o que sinaliza
como é difícil reconhecer nossos
preconceitos e, acima
de tudo, conter suas manifestações
e
colaborar para que a
convivência social seja mais digna.
Por
que enviamos nossos filhos para a
escola? Hoje, não
dá mais para aceitar como uma boa razão
apenas o ensino das disciplinas do
conhecimento. Essa razão é pobre em
demasia para motivar o aluno a aprender.
Para que nossos
filhos garantam um futuro de sucesso? O
estudo escolar não
oferece mais essa garantia.
Deveríamos ter como forte razão
para
enviar nossos filhos à escola o preparo
para a cidadania, ou seja, o ensino
dos valores sociais que vão colaborar para
a formação de um
cidadão de bem. Ensinar a reconhecer os
principais preconceitos de nossa
sociedade, suas várias formas de
manifestação e
como combatê-los é função das mais
importantes da escola.
*assédio moral: exposição
de alguém a
situações humilhantes e constrangedoras,
repetitivas e prolongadas, durante a
jornada de trabalho e
no exercício de suas funções.
(Rosely Sayão.
www.folha.uol.com.br,
28.06.2016. Adaptado)