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Leia o texto para responder às questões de números 05 e 06.
A moça e o trem
O trem de ferro
passa no campo
entre telégrafos.
Sem poder fugir
sem poder voar
sem poder sonhar
sem poder ser telégrafo.
A moça na janela
vê o trem correr
ouve o tempo passar.
O tempo é tanto
que se pode ouvir
e ela o escuta passar
como se outro trem.
Cresce o oculto
elástico dos gestos:
a moça na janela
vê a planta crescer
sente a terra rodar:
que o tempo é tanto
que se deixa ver.
(João Cabral de Melo Neto. Poesia completa e prosa.
Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 2008, p. 48, 49)
A imagem do trem, no poema, associa-se à
ingenuidade do tempo de infância.
falta de infraestrutura no meio rural.
representação concreta e sensível do tempo.
dificuldade de comunicação no campo.
demora da chegada do tempo de colheita.