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Leia o texto a seguir e responda às questões de 51 a 58.
1 Quem fala palavrão no dia a dia de trabalho pode ser preterido na hora da promoção. É o que mostra
2 pesquisa feita pelo site americano CareerBuilder. O estudo, que ouviu mais de dois mil gerentes de RH
3 e 3.800 trabalhadores, indica que 64% dos gestores analisam negativamente um empregado que use
4 termos chulos com frequência, enquanto 57% disseram ser menos propensos a promover essa pessoa.
5 Descontadas as diferenças culturais entre Brasil e Estados Unidos, especialistas confirmam que, aqui
6 também, o palavrão, especialmente quando não é usado com moderação, pode ser prejudicial à imagem
7 profissional. Principalmente em empresas grandes e com estruturas hierárquicas mais formais.
8 – Nos Estados Unidos, é possível notar que esse tipo de linguajar é evitado por questão de respeito, o
9 que está associado ainda à cultura jurídica do país, muito rígida quanto a temas como o assédio moral –
10 afirma Jorge Martins, consultor de Recrutamento da Robert Half, ao fazer a comparação. – Já no Brasil,
11 o repúdio a esse tipo de comportamento tem mais a ver com o conservadorismo, que ainda predomina
12 nas empresas grandes.
13 Martins diz, ainda, que, por aqui, e nos países latinos de maneira geral, ainda existe uma grande confu14
são entre o ambiente corporativo e o caseiro, o que pode explicar uma maior incidência de palavrões no
15 mercado de trabalho nacional. Mas, para o especialista, o que pesa mesmo são as diferenças entre os
16 setores, seja lá ou cá.
17 – Em empresas como agências de publicidade ou da área de TI, as pessoas se soltam mais e o palavrão
18 é mais comum e tolerado. Já em outras indústrias mais tradicionais, que têm uma cultura corporativa
19 forte, a coisa funciona de forma diferente. De todo modo, é fundamental sempre saber se posicionar
20 frente ao seu interlocutor.
21 Ou seja: saber com quem está falando. É a regra que segue Conceição dos Santos, gerente de Depar-
22 tamento Pessoal de uma empresa de bebidas. Na sala que compartilha com cinco colegas, com quem
23 tem intimidade, às vezes fala um palavrão, sem temer represálias.
24 – Afinal, ninguém é de ferro. Mas, quando preciso atender ao público externo ou conversar com um co-
25 ordenador de outra área, evito. Tem que falar com as pessoas certas – acredita Conceição, que também
26 faz uma diferenciação entre diferentes tipos de palavrão. – Nunca xingo ninguém ou uso um palavrão
27 para ofender. Eu falo em momentos de estresse ou de raiva, mas sempre em tom alto, e é comigo
28 mesma.
29 A gerente de DP está na estatística americana dos 51% dos empregados que usam palavrão no traba-
30 lho e dos 95% que só falam na frente dos colegas, como ainda mostra a pesquisa do CareerBuilder.
31 E, embora os números sejam altos, quando o uso é exagerado pode criar problemas. O coach e sócio
32 da Alliance Coaching, Alexandre Rangel, relata duas situações em que o palavreado afetou a carreira
33 de dois profissionais. A primeira foi a de um diretor de marketing, demitido por um novo vice-presidente
34 da companhia, entre outros motivos, por causa de seu linguajar chulo e agressivo. Já em outro caso,
35 quando fazia um coaching para um grupo de oito supervisores, uma das questões com que Rangel
36 precisou lidar foi a falta de tolerância de um participante com a boca suja de um dos seus pares.
37 – Muitas vezes, as pessoas não percebem a necessidade de mudança na maneira de agir em função do
38 ambiente em que está. Não dá para levar o comportamento de arquibancada para o trabalho – afirma
39 Rangel.
40 E, embora a maioria dos funcionários admita falar palavrão no trabalho, eles próprios se incomodam
41 quando os colegas exageram. É o que relata uma funcionária de uma empresa da área de TI, que pre-
42 fere não se identificar. Recém-chegada ao escritório, já conseguiu se incomodar com o comportamento
43 pouco amigável de um integrante da equipe.
44 – Mas não sou só eu. Houve uma rearrumação na sala, e ninguém quis sentar ao lado dessa pessoa.
45 Para a coach Waleska Farias, especializada em gestão de carreira e imagem, uma palavra chula, muitas
46 vezes, é utilizada como mecanismo de defesa, por quem busca mascarar algum tipo de sentimento. E,
47 como no trabalho, nem sempre dá para botar em prática a máxima “os incomodados que se mudem”,
48 ela sugere que, quando esse tipo de comportamento atrapalha o bom humor alheio, o ideal é tentar
49 conversar com quem provoca a discórdia.
50 – O primeiro passo é dizer diretamente para o “boca suja” que não gosta de palavrões. Se, ainda assim,
51 ele não maneirar, pode ser o caso de ir falar com o chefe. A linguagem reflete o estado emocional das
52 pessoas e a energia negativa pode acabar sendo reproduzida no entorno, o que nem sempre é bom –
53 diz Waleska.
(Uso de palavrões no trabalho pode diminuir chances de promoção. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/emprego/uso-depalavroes- no-trabalho-pode-diminuir-chances-de-promocao-5833571#ixzz24BQYLtAU>. Acesso em: 12 set. 2012.)
Sobre os termos “profissional” (linha 6) e “profissionais” (linha 31 e 32), assinale a alternativa correta.
Os dois são adjetivos variáveis, isto é, ora aparecem no singular, ora aparecem no plural, conforme os substantivos que eles acompanham.
Os dois são substantivos que podem variar do singular para o plural, acarretando a mudança de significado e a perda do vínculo com a ideia de profissão.
“profissionais” é um substantivo no plural que tem uma carga de significado ambígua em decorrência do comportamento amador das pessoas designadas pelo termo.
“profissional”, no singular, é um adjetivo por ser invariável, isto é, o plural contrariaria as normas gramaticais, mesmo que o substantivo “imagem” estivesse no plural.
“profissional” está no singular para concordar com o substantivo “imagem”, mas poderia ser um substantivo, caso a construção fosse “imagem do profissional”.