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(Texto 01) Grande parte do progresso na imunologia veio...

(Texto 01)


Grande parte do progresso na imunologia veio quando fomos obrigados a lidar com os vírus da imunodeficiência humana (HIV) infecções que eram conhecidas apenas como absolutas raridades ficaram mais frequentes, tornaram-se mais bem avaliadas e tratadas. As dimensões da variedade sexual humana nas nossas sociedades se revelaram. Um cientista social disse que a infecção pelo HIV funcionou como revelador fotográfico – ainda existe isso ou é tudo digital? – mostrando aspectos sociais e comportamentais que antes estavam ignorados. Desconhecidos, não, pois sabia-se que existiam, mas não eram discutidos ou considerados em políticas públicas. A aids obrigou que o fossem.

O maior avanço, na nossa opinião, refere-se aos conhecimentos em imunidade celular, algo complexo e cujos detalhes foram bem esmiuçados com o estímulo da doença desencadeada pelo HIV. Até hoje aparecem novidades nesse setor. A última parece coisa de ficção científica e foi recentemente publicada no New England Journal of Medicine. Um cidadão contaminado por HIV desenvolveu um tumor maligno. Até aí, nada novo, é conhecida a propensão dos infectados a cânceres – mais a linfomas e a sarcoma de Kaposi, mas também a outros. Esse senhor tinha nódulos malignos no pulmão e gânglios cervicais. Os gânglios e o pulmão foram biopsiados e evidenciaram um tumor estranho, de células muito pequenas e que se fundiam ocasionalmente. Após uma investigação completa, incluindo análise do DNA do tumor, definiu-se que ele não era de origem humana, e sim de um parasita, Hymenolepis nana. Esse verme em geral não causa sintomas no ser humano, que não é seu hospedeiro habitual. A Hymenolepis é tênia de rato. Ao contrário das demais que acometem os humanos, ela não precisa de hospedeiro intermediário para completar seu ciclo, podendo levar à autoinfestação. Quem identificou esse caso único imagina que a falta de resposta imune tenha levado à proliferação do parasita no hospedeiro e uma dessas tênias teve um câncer que se disseminou no indivíduo, mais uma vez por absoluta falta de resposta imune. É a primeira descrição de câncer de parasita se desenvolvendo em hospedeiro humano. A gente pergunta se não ocorreram outros casos desconhecidos.

Seria longa a enumeração dos meandros imunológicos descobertos como subproduto da investigação da fisiopatologia da aids. Também se aprendeu bastante no âmbito das ciências humanas. A aids levou a espécie humana a mostrar o que tem de melhor, como solidariedade e cuidado no tratamento de seus doentes e o que tem de pior: a discriminação, o pânico mal motivado, a vigarice. Ainda há, pasmem, malandros que acreditam na cura via medidas espirituais, de diferentes origens. A aids levou governos a políticas esclarecidas e o Brasil, por exceção à sua História, foi um dos mais lúcidos em ações públicas referentes a essa doença.

Adaptado de O Estado em 30 de novembro de 2015.




Na frase retirada do texto “As dimensões da variedade sexual humana nas nossas sociedades se revelaram.” apresenta exatamente um:


A

Período composto formado por uma oração principal e uma subordinada.


B

Período simples.


C

Período composto formado por uma oração principal e uma oração coordenada.


D

Período composto formado por duas orações coordenadas.