Imagem de fundo

No texto I, a palavra QUE é classificada como conjunção...

TEXTO I

Estranhas afinidades

01 Casal se divorcia após descobrir que flertava pela internet. Um casal residente na cidade de

02 Zenica, na Bósnia-Herzegovina, estava com problemas no casamento. Por causa disso os dois

03 iniciaram contatos pela internet, e, sem saber de suas identidades, trocaram mensagens e acabaram

04 se apaixonando. Quando a relação se tornou séria, decidiram se encontrar, e então descobriram

05 quem eram. O casal decidiu se separar. (29/10/2007)

06 Quando descobriram que, sem saber, estavam se correspondendo pela internet, ficaram, marido

07 e mulher, surpresos e chocados. Aquilo era algo mais que uma simples coincidência. Era um sinal de

08 que alguma coisa, em ambos, estava profundamente errada. E esta coisa os levara, durante um tempo

09 que não havia sido pequeno, a viver uma dupla existência. Daí as interrogações.

10 Quem sou eu, perguntava-se ele. Com razão. No dia a dia ele era uma pessoa nervosa, irascível,

11 de gestos bruscos. Relacionava-se mal com os amigos e conhecidos e costumava descarregar suas

12 frustrações na esposa.

13 Quem sou eu, perguntava-se ela. Com razão. No dia a dia ela era uma pessoa nervosa, irascível,

14 de gestos bruscos. Relacionava-se mal com os amigos e conhecidos e costumava descarregar suas

15 frustrações no marido.

16 Quem sou eu, perguntava-se ele. Com razão. Nas mensagens que enviava pela internet

17 revelava-se, para sua própria suipresa, uma pessoa afetiva, dotada de rica imaginação e capaz de

18 construir uma relação amorosa mesmo à distância, mesmo sem ver aquela a quem se dirigia. Um

19 milagre da internet? Talvez, mas ele suspeitava que a internet nada mais fizera do que liberar o seu

20 lado bom, o seu lado positivo, o lado que amava a vida e que buscava compartilhar tais sentimentos

21 com alguém.

22 Quem sou eu, perguntava-se ela. Com razão. Nas mensagens que enviava pela internet

23 revelava-se, para sua própria surpresa, uma pessoa afetiva, dotada de rica imaginação e capaz de

24 construir uma relação amorosa mesmo à distância, mesmo sem ver aquele a quem se dirigia. Um

25 milagre da internet? Talvez, mas ela suspeitava que a internet nada mais fizera do que liberar o seu

26 lado bom, o seu lado positivo, o lado que amava a vida e que buscava compartilhar tais sentimentos

27 com alguém.

28 Como é possível, indagava-se ele, inquieto, que eu tenha, por assim dizer, duas vidas? Como

29 é possível que estas duas partes de mim sejam tão diferentes, tão incompatíveis? O que eu poderia

30 fazer para me tomar uma pessoa só? A quem deveria recorrer para isso?

31 Como é possível, indagava-se ela, inquieta, que eu tenha, por assim dizer, duas vidas? Como é

32 possível que estas duas partes de mim sejam tão diferentes, tão incompatíveis? O que eu poderia fazer

33 para me tomar uma pessoa só? A quem deveria recorrer para isso?

34 Estas eram as perguntas que se faziam. Claro, poderiam fazer as mesmas perguntas um para o

35 outro. Poderiam descobrir-se mutuamente, poderiam, quem sabe, constatar que, ao fim e ao cabo,

36 haviam sido feitos um para o outro. Mas o diálogo destes não é fácil. Preferem continuar na internet

37 para ver se encontram o Príncipe Encantado, a Princesa Encantada.

(SCLIAR, Moacyr. Histórias que os jornais não contam: 54 crônicas inspiradas em notícias de jornal. Porto Alegre, RS: L&PM, 2018)

No texto I, a palavra QUE é classificada como conjunção integrante em


A

“Quando descobriram que, sem saber, estavam se correspondendo pela internet...” (linha 6)


B

“...durante um tempo que não havia sido pequeno...” (Unhas 8 e 9)


C

“Nas mensagens que enviava pela internet revelava-se...” (linhas 16 e 17)


D

“...o lado que amava a vida...” (linha 20)


E

“Estas eram as perguntas que se faziam.” (linha 34)