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Leia a crônica “A perigosa aventura de escrever” para responder às questões 5, 6, 7 e 8:
A PERIGOSA AVENTURA DE ESCREVER
“Minhas intuições se tornam mais claras ao esforço de transpô-las em palavras”. Isso eu escrevi uma vez. Mas está errado, pois que, ao escrever, grudada e colada, está a intuição. É perigoso porque nunca se sabe o que virá — se se for sincero. Pode vir o aviso de uma destruição, de uma autodestruição por meio de palavras. Podem vir lembranças que jamais se queria vê-las à tona. O clima pode se tornar apocalíptico. O coração tem que estar puro para que a intuição venha. E quando, meu Deus, pode-se dizer que o coração está puro? Porque é difícil apurar a pureza: às vezes no amor ilícito está toda a pureza do corpo e alma, não abençoado por um padre, mas abençoado pelo próprio amor. E tudo isso pode-se chegar a ver — e ter visto é irrevogável. Não se brinca com a intuição, não se brinca com o escrever: a caça pode ferir mortalmente o caçador.
(LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.)
Apenas uma opção abaixo apresenta uma interpretação coerente desse texto:
A intuição é companheira do escritor. Está sempre ao lado da escrita e, utilizá-la, é uma forma segura de se produzir um bom texto;
A intuição, como fonte inspiradora para escrever, remete o leitor sempre a lembranças agradáveis e aprazíveis
Estar com o coração puro é a condição ideal para obter inspiração para escrever. Isso é comum a todo bom escritor e, ser talentoso é garantia para usar a intuição;
Não há uma receita confiável para escrever. Nem sempre, ter o coração puro garante a inspiração que se deseja;
Apesar de haver uma dificuldade inicial, escrever é uma atividade que se forma, gradativamente, conforme é o próprio viver. Por isso, não há riscos.