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TEXTO 1
A história dos Javalis Selvagens
01 Neste ano de 2018, a mídia noticiou que, na Província de Chiang Ray, um drama era
02 vivenciado por alguns jovens. Esse fato ocorria em um país bem distante do Brasil, a Tailândia, na
03 Ásia. O problema decorreu porque os personagens dessa história real resolveram visitar um local
04 suscetível às intempéries da natureza, pois o sudeste desse continente é acometido por ventos cuja
05 direção é modificada de acordo com as estações do ano, por isso ocorrem chuvas torrenciais de junho
06 a agosto.
07 O acontecimento comovente a que estamos nos referindo ocorreu, exatamente, no dia 23 de
08 junho, quando 12 garotos, jogadores de futebol, todos pertencentes ao time chamado de “Javalis
09 Selvagens”, acompanhados do treinador Ekkapol Chantawong, resolveram explorar a caverna Tham
10 Luang. Segundo o que a imprensa anunciou, foi o técnico que convidou os rapazes para o passeio.
11 Movidos pela curiosidade, adentraram na referida caverna e acabaram presos com a rápida inundação
12 ocorrida no local.
13 Ao analisarmos o sentimento de curiosidade, o qual move a maioria das pessoas, e, por certo,
14 moveu, também, os membros do time de futebol em questão, lembramos do ditado popular “A
15 curiosidade matou o gato”. No sítio “https://www.sitedecuriosidades.com/curiosidade/a-curiosidade-
16 matou-o-gato.html”, há a informação de que esse ditado tem como objetivo alertar as pessoas quanto
17 a possíveis riscos resultantes da curiosidade extrema. Na Idade Média, muitas pessoas não gostavam
18 de gatos e produziam armadilhas para capturá-los. Os gatos, animais, por natureza, curiosos,
19 acabavam caindo nas armadilhas e morriam.
20 Em contrapartida, a curiosidade é considerada importantíssima por autores diversos. Entre eles
21 estão Brian Grazer e Charles Fishman, os quais, na obra “Uma mente curiosa: o segredo para uma
22 vida brilhante”, fazem a seguinte afirmação: “Se boas maneiras são o lubrificante que permite que
23 todos nós nos demos bem, curiosidade é a pitada de Tabasco* que adiciona tempero, nos acorda, cria
24 conexão e dá significado a quase qualquer encontro”.
25 E impossível ficarmos inertes diante dos meandros do cotidiano. Alguns acontecimentos
26 geram ações e sentimentos, além de que certas ocorrências podem produzir, no indivíduo, curiosidade;
27 portanto, parece-nos que é prudente considerarmos a situação em que cada pessoa está envolvida para,
28 assim, valorarmos a curiosidade.
29 No caso da aventura dos Javalis Selvagens, o estado de aprisionamento em que ficaram
30 podería ter-lhes proporcionado a morte. Eles só foram encontrados por mergulhadores britânicos no
31 dia 02 de julho, portanto, resistiram nove dias sem alimentos. Sobreviveram porque possuíam bom
32 preparo físico e conseguiram beber água vertente da própria caverna. Além disso, quando foram
33 encontrados, o salvamento não foi realizado de imediato, pois era necessário estudar qual seria a
34 forma mais segura de retirá-los. Com esse estudo, levantaram-se as possibilidades de resgate por meio
35 de escavação da superfície da caverna, pela espera da estiagem ou, ainda, por meio do mergulho em
36 águas barrentas, todas perigosas e com risco de fracasso.
37 Como estavam previstas mais chuvas e havia a iminência de um alagamento maior no local
38 em que se encontravam os garotos, optou-se pelo mergulho, forma mais rápida de retirá-los da
39 caverna.
40 Desse episódio, ressaltam-se algumas lições:
41 - a predisposição humana para socorrer o próximo. Pessoas de outras nações, como os
42 experientes mergulhadores britânicos, auxiliaram no resgate dos jovens, por meio do mergulho em
43 águas lamacentas e em corredores estreitos;
44 - a utilização do conhecimento acumulado pela evolução do próprio homem. À utilização, para
45 esse caso, de corda guia de mergulho remete-nos ao fio de Ariadne, da mitologia grega, na qual
46 Ariadne, filha do Rei de Creta, ajuda Teseu a vencer uma luta contra o monstro Minotauro, o qual se
47 encontrava em um labirinto. Essa ajuda ocorreu porque a moça deu ao herói uma espada e um novelo.
48 Ao entrar no labirinto, a linha seria desenrolada e serviría como indicador do caminho de volta para
49 Teseu. Assim foi a corda guia para a situação dos jovens, os quais realizariam um dos mergulhos mais
50 complicados já registrados na história da humanidade;
51 - o valor de uma aprendizagem. O conhecimento de idiomas estrangeiros fez com que o garoto
52 Adul Sam-on, de 14 anos, conseguisse passar as primeiras informações aos mergulhadores britânicos,
53 os primeiros a encontrá-los. Esse fato foi importante para os rumos que seriam dados ao caso; e
54 - as lições aprendidas com a própria vida. A experiência advinda desse episódio marcou, para
55 sempre, cada um dos envolvidos. O técnico da equipe afirmou que, tanto ele quanto os jovens, viverão
56 de maneira mais cuidadosa, sem agirem de forma imprudente e que checarão tudo antes de fazer
57 qualquer coisa. Adul Sam-on afirmou que a experiência lhe mostrou a obrigação de ser mais
58 consciente das consequências das ações praticadas, e Chanin Wiboonrungrueng, o mais novo de
59 todos, com apenas 11 anos de idade, relatou que foi a maior experiência já vivida por ele e que o fez
60 aprender sobre os valores da vida, pois precisou ser paciente, ter força e não perder a esperança.
(Texto produzido pelos docentes elaboradores desta prova com base nos diversos noticiários publicados na mídia.)
*Molho picante à base de malaguetas vermelhas.
TEXTO 2

Infográfico atualizado em: 1 1/07/20'! S . Acesso em 13 set. 2018. (Adaptado)
Disponível em: <https://gi_.globo.com/imiEdo/noticia/2Ql_S/OT/ig/ia-%5elis-selvagcns-da-ta%c3%bcandia-vlsitam-templo-Dara-agradecer-> Acesso em 13 set. 2018. (Adaptado).
TEXTO 3
“Perdido em Marte”, do escritor norte-americano Andy Weir, narra a história do astronauta Mark Watney, tripulante da missão Ares 3, de exploração a Marte. Já em solo marciano, a tripulação da Ares 3 é surpreendida por uma forte tempestade de areia. A missão é então suspensa e a tripulação vai embora, não levando Mark, certa de que ele tinha morrido em um terrível acidente. Ele estava apenas desacordado.
Ao despeitar, ele se vê completamente sozinho, ferido e sem ter como avisar às pessoas na Terra que estava vivo.
PERDIDO EM MARTE
CAPÍTULO 1
DIÁRIO DE BORDO: SOL 6
01 Estou ferrado.
02 Essa é a minha opinião abalizada.
03 Ferrado. Seis dias após o início daqueles que deveriam ser os dois meses mais importantes da
04 minha vida, tudo se tomou um pesadelo.
05 Nem sei quem vai ler isto. Acho que alguém vai acabar encontrando. Talvez daqui a cem anos.
06 Que fique registrado: não morri em Sol 6*. O restante da tripulação certamente achou que eu
07 tivesse morrido, e não posso culpá-los. Talvez decretem um dia de luto nacional em minha
08 homenagem e minha página na Wikipédia vá dizer: “Mark Watney foi o único ser humano que morreu
09 em Marte.”
10 E, provavelmente, isso estará correto. Porque, sem dúvida, vou morrer aqui. Só que não em
11 Sol 6, como todo mundo está achando.
12 Vejamos... por onde começar?
13 O Programa Ares. A humanidade voltando-se para Marte com o intuito de mandar pessoas para
14 outro planeta pela primeira vez e expandir o horizonte da raça humana, blá-blá-bíá. Os tripulantes da
15 Ares 1 fizeram o que tinham de fazer e voltaram como heróis. Foram recebidos com desfiles,
16 conquistaram a fama e. o amor do mundo inteiro.
17 A Ares 2 fez a mesma coisa, em outro local de Marte. Receberam um aperto de mão firme e uma
18 xícara de café ao chegar em casa.
19 A Ares 3. Bem, essa foi minha missão. Certo, não exatamente minha. A comandante Lewis era a
20 responsável. Eu era apenas um dos tripulantes. Só ficaria “no comando” da missão se fosse a última
21 pessoa que restasse.
22 Quem diria?... Estou no comando.
23 Fico me perguntando se este diário será recuperado antes que o restante da tripulação morra de
24 velhice. Imagino que tenham voltado à Terra sãos e salvos. Pessoal, se estiverem lendo isto: a culpa
25 não foi sua. Vocês fizeram o que tinham de fazer. No seu lugar, eu teria feito a mesma coisa. Não os
26 culpo e fico feliz que tenham sobrevivido.
27 [...]
28 Então, esta é a situação: estou perdido em Marte. Não tenho como me comunicar com a Hermes
29 nem com a Terra. Todos acham que estou morto. Estou em um Hab** projetado para durar 31 dias.
30 Se o oxigenador quebrar, vou sufocar. Se o reaproveitador de água quebrar, vou morrer de sede.
31 Se o Hab se romper, vou explodir. Se nada disso acontecer, vou ficar sem alimento e acabar morrendo
32 de fome.
33 Então, é isso mesmo. Estou ferrado.
*Sol 6 - região de Marte onde pousou a aeronave da missão Ares 3.
**Hab - espécie de casa desenvolvida no Centro Espacial Lyndon Johnson - NASA (Estados Unidos da América) para servir de abrigo a exploradores em condições hostis e extremas.
Disponível em https://nerdking.net.br/wp-content/uploads/2017/06/Perdido-em-Marte-Aüdv-Weir.pdf. Acesso em 25 Out 18- Páginas 11 e 15
A seguir, observe o quadrinho com o personagem Astronauta

Compare a situação apresentada no quadrinho acima com a situação de Mark perdido em Marte. O sentimento do personagem Astronauta, da Tumia da Mônica, é o mesmo apresentado por Mark, no seguinte trecho do Texto 3:
“Não os culpo e fico feliz que tenham sobrevivido.” (L. 25-26)
“Os tripulantes da Ares I fizeram o que tinham de fazer e voltaram como heróis.” (L. 14-15)
“Nem sei quem vai ler isto. Acho que alguém vai acabar encontrando.” (L. 5)
“A comandante Lewis era a responsável. Eu era apenas um dos tripulantes.” (L. 19-20)
“Seis dias após o início daqueles que deveríam ser os dois meses mais importantes da minha vida, tudo se tomou um pesadelo.” (L, 03-04)