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Inundação Há um rio que atravessa a casa. Esse rio, dizem...

Inundação


Há um rio que atravessa a casa. Esse rio, dizem, é o tempo. E as lembranças são peixes nadando ao invés da corrente. Acredito, sim, por educação. Mas não creio. Minhas lembranças são aves. A haver inundação é de céu, repleção de nuvem. Vos guio por essa nuvem, minha lembrança.

A casa, aquela casa nossa, era morada mais da noite que do dia. Estranho, dirão. Noite e dia não são metades, folha e verso? Como podiam o claro e o escuro repartir-se em desigual? Explico. Bastava que a voz de minha mãe em canto se escutasse para que, no mais lúcido meio-dia, se fechasse a noite. Lá fora, a chuva sonhava tamborileira. E nós éramos meninos para sempre.


COUTO, M. O fio das missangas: contos. São Paulo: Cia das Letras, 2009. p. 25.


Assinale a alternativa que contém um enunciado que apresenta linguagem denotativa.


A

“Há um rio que atravessa a casa. Esse rio, dizem, é o tempo.” (linha 1)


B

“Acredito, sim, por educação. Mas não creio.” (linha 3)


C

“Estranho, dirão. Noite e dia não são metades, folha e verso?” (linha 7)


D

“no mais lúcido meio-dia, se fechasse a noite.” (linha 10)


E

“Lá fora, a chuva sonhava tamborileira.” (linha 11)