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Texto para responder às questões de 1 a 8.
1 No Brasil, há, infelizmente, um grande número de
crianças e adolescentes em diversas situações de risco e
que, portanto, necessitam de medidas de proteção
4 especiais. Muitas vezes, uma mesma criança vive mais de
uma dessas situações. Há crianças trabalhadoras,
exploradas sexualmente (comercialmente ou não),
7 deficientes, envolvidas com a rua, discriminadas pela
identidade étnica ou religiosa ou por gênero, outras em
conflito com a lei e as que vivem em instituições.
10 Do grande contingente de crianças de sete a catorze
anos de idade alistadas como trabalhadoras no país, muitas
estão envolvidas nas piores modalidades de trabalho infantil,
13 segundo a Organização Internacional do Trabalho, como em
trabalho escravo ou forçado, em atividades ilícitas (como a
produção e o tráfico de drogas), em trabalhos perigosos à
16 saúde ou à segurança (em carvoarias, no corte de cana, na
fabricação de tijolos etc.), entre outros. Há, ainda, as
prostitutas mirins e as milhares de crianças, geralmente
19 meninas, que fazem trabalhos domésticos no Brasil.
Empregar crianças no trabalho doméstico, muitas vezes em
idade bastante precoce, é uma prática muito comum e bem
22 aceita no país, embora seja bastante prejudicial às crianças
e aos adolescentes a carga de trabalhos é, muitas vezes,
pesada, e muitos trabalhadores não conseguem frequentar a
25 escola. Por ser uma prática desenvolvida em ambiente
privado - de certo modo, escondido -, é difícil normatizar e
vigiar o trabalho doméstico.
28 Os exemplos citados são suficientes para constatar a
urgência de mudanças, que devem passar pelo estudo
detalhado e multidimensional das situações que envolvem a
31 infância e a adolescência. Não se deve seguir considerando
essas crianças e adolescentes apenas vítimas e passivos
beneficiários de medidas que se proponham a ajudá-los. Tal
34 postura, além de ter-se mostrado pouco eficiente ao longo
do tempo, tende a ser estigmatizadora, mantendo tais
crianças e adolescentes como perpétuos marginalizados e
37 perdedores. Deve-se atentar para a força de resistência e
adaptação dessas crianças e adolescentes - não são apenas
vítimas, mas também sobreviventes de um cotidiano muito
40 adverso que se assemelha muito a uma verdadeira guerra.
Crianças e adolescentes estão em grave risco, mas a própria
palavra “risco” guarda em seu significado a noção de ganho.
43 Segundo o dicionário, “risco é a situação em que há
probabilidades mais ou menos previsíveis de perda ou
ganho”. Deve-se abordar esse tema com olhos nos preciosos
46ganhos que se possam colher.
Susane Rocha de Abreu. In: Revista Brasileira de
Psiquiatria, São Paulo, v. 24, n.o 1, mar./2002.
Assinale a alternativa correta a respeito de elementos coesivos empregados no texto.
A conjunção “portanto” (linha 3) introduz oração com sentido contrastivo, por isso poderia ser substituída por entretanto, sem prejuízo do sentido do período
O vocábulo “como” empregado na linha 11 tem a mesma classificação do empregado na linha 36, equivalendo ambos à expressão na condição de.
O vocábulo “que” (linha 19) introduz oração que expressa, em relação à anterior, circunstância de consequência.
O conector “embora” (linha 22) introduz uma explicação a respeito do que se afirma anteriormente.
A conjunção “mas” (linha 39) inicia oração que estabelece sentido adversativo em relação à oração anterior.