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Texto para as questões de 1 a 10.
1 Durante a semana, Eran Baniel recebe, todos os
dias, três alertas no celular, às 10 h, às 12 h e às 15 h: “hora
da prova”. Hoje é segunda de manhã e estamos num
4 complexo de escritórios perto de Tel Aviv, em Israel. Baniel
está sentado a uma mesa, com dois pratos de bolachas de
chocolate. Parecem iguais, mas não são: o prato à esquerda
7 contém a amostra 792, e o da direita, a amostra 431. Baniel
toma um gole d'água, prova as bolachas e me convida a
fazer o mesmo. A 431 me parece mais gostosa — um pouco
10mais cremosa, talvez —, mas não é isso que ele está
avaliando. As duas bolachas foram feitas com base na
mesma receita, mas uma delas contém 40% menos açúcar.
13Baniel tem de descobrir qual é.
Em 2014, ele fundou a DouxMatok (“duplamente
doce”, em hebraico), uma startup israelense que agora está
16lançando seu primeiro produto: um açúcar modificado, que
foi redesenhado para ficar mais doce e permite preparar
alimentos com muito menos dele. O produto foi batizado de
19Incredo, uma referência à incredulidade envolvida: será que
dá para fazer doces idênticos aos originais colocando-se
metade do açúcar?
22 Em testes cegos conduzidos por um instituto
independente, mais de dois terços dos consumidores
preferiram as bolachas com Incredo àquelas preparadas
25com açúcar comum, e 74% disseram que comprariam o
creme de avelã feito com o novo produto. Logo eles
poderão fazer isso: neste ano, o Incredo começará a ser
28fabricado em escala industrial.
Muitos países começaram a incluir advertências na
comida industrializada e até a aumentar os impostos sobre
31os produtos altamente açucarados. Essas medidas parecem
estar fazendo efeito. Com a opinião pública se voltando
contra o açúcar, a indústria de alimentos tem prometido
34reduzir sua quantidade. O problema é que não é fácil
substituí-lo. Nenhum substituto artificial criado no último
século é tão irresistível, ou tão versátil, quanto o açúcar. Ele
37evita a formação de gelo no sorvete, dá volume às massas,
crocância a bolos e bolachas e viscosidade às bebidas,
melhora a estabilidade de molhos, dá cremosidade ao
40chocolate e até aumenta o prazo de validade de certos
produtos. Por isso, os fabricantes o utilizam
promiscuamente, até em alimentos que não são doces,
43como maionese, pão e molho de pimenta. Já a sacarina
deixa as bolachas farinhentas, o aspartame se decompõe
quando é aquecido, e os bolos feitos com sucralose não
46crescem. O açúcar é simplesmente indispensável para a
culinária.
A imposição de novas regras, a pressão das
49autoridades e o sentimento do público criaram uma espécie
de pânico, e uma onda de inovação, na indústria. A corrida
não é para criar um substituto ao açúcar; é para desenhar
52um novo açúcar.
Nicola Twilley. A reinvenção do açúcar. Tradução de
Bruno Garatonni. In: Superinteressante, ed. 423,
jan./2021 (com adaptações).
A palavra “viscosidade” (linha 38) é um
substantivo que acompanha os complementos do verbo “evita” (linha 37).
substantivo que funciona como complemento do verbo “dá” (linha 37).
adjetivo que acompanha um dos complementos de “formação” (linha 37).
adjetivo que funciona como complemento de “crocância” (linha 38).
adjetivo que qualifica “bebidas” (linha 38).