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Texto III
Tecendo a manhã
Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que tecido, se eleva por si: luz balão.
João Cabral de Melo Neto.
O poema é dividido em duas estrofes, referindo cada uma delas, respectivamente:
Ao nascimento da manhã, que surge pelo canto de vários galos; e o resultado dessa ação conjunta.
À manhã tecida, ou seja, o resultado da manhã; e o nascimento de uma nova manhã através do canto dos vários galos.
Em ambas as partes a referência é feita ao nascimento da manhã através do canto dos galos.
Em ambas as partes a referência é feita à manhã já tecida através do canto dos galos.