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Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, purê de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário.
(Carlos Drummond de Andrade)
Considerando os níveis e funções da linguagem, assinale a alternativa que não é compatível com a análise atenciosa do texto.
O ser humano não vive só de mensagens verbais. A linguagem participa de aspectos mais amplos que apenas o verbo. O corpo fala, a arquitetura recorta espaços, a fotografia evidencia, o teatro exibe o verbal, o visual, a poesia surpreende, o cinema movimenta, a escultura tateia etc.
Numa mesma mensagem poderão ocorrer várias funções, predominando ora uma, ora outra função, havendo assim uma coexistência de funções. A emissão, que organiza os sinais físicos em forma de mensagem, colocará ênfase em uma das funções, e as demais dialogarão em subsídio.
No trecho notamos exemplos de várias funções: a função referencial (evidencia o assunto), a função metalinguística (volta-se para a própria produção discursiva), a função emotiva (revela emoções do emissor) e a poética (produz efeito estético através da linguagem metafórica).
A angústia de não conseguir iniciar um texto é a da dificuldade de romper um silêncio constrangedor. Nem é necessário ser escritor ou poeta para ter experimentado a sensação. A mente divaga, palavras faltam, parece que tudo o que se aprendeu perde a eficácia e a forma, incapaz de ser transformado em frase.