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Poesia do Tempo
1_____O equívoco entre poesia e povo já é demasiadamente
sabido para que valha a pena insistir nele. Denunciemos antes
o equívoco entre poesia e poetas. A poesia não se “dá”, é
hermética ou inumana, queixam-se por aí. Ora, eu creio que
5 os poetas poderiam demonstrar o contrário ao público. De
que maneira? Abandonando a ideia de que poesia é evasão.
E aceitando alegremente a ideia de que poesia é participação.
Não basta dizer que já não há torres de marfim; a torre
desmoronou-se pelo ridículo, porém muitos poetas continuam
10 vendo na poesia um instrumento de fuga da realidade ou de
correção do que essa realidade ofereça de monstruoso e de
errado. Desenvolve-se então entre eles a linguagem cifrada,
que nenhum leigo entende, e que suscita o equívoco já
célebre entre poesia e povo.
15____Participação na vida, identificação com os ideais do
tempo (e esses ideais existem sempre, mesmo sob as mais
sórdidas aparências de decomposição), curiosidade e
interesse pelos outros homens, apetite sempre renovado em
face das coisas, desconfiança da própria e excessiva riqueza
20 interior, eis aí algumas indicações que permitirão talvez ao
poeta deixar de ser um bicho esquisito para voltar a ser,
simplesmente, um homem.
(Carlos Drummond de Andrade)
As questões de 01 a 04 referem-se ao texto acima.
Assinale a alternativa que apresenta, de acordo com o autor, indicações que permitirão ao poeta deixar de ser “um bicho esquisito”.
Linguagem hermética; participação na vida; interesse pelos outros homens.
Identificação com os ideais do tempo; linguagem cifrada; aceitação de que a poesia seja “participação”.
Desconfiança da própria e excessiva riqueza interior; linguagem inumana, curiosidade e interesse pelos outros homens.
Percepção social; atenção aos fatos de seu tempo; e desconfiança de suas próprias riquezas interiores.