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Texto I
Camelô
(Manuel Bandeira)
Abençoado seja o camelô dos brinquedos de tostão:
O que vende balõezinhos de cor
O macaquinho que trepa no coqueiro
O cachorrinho que bate com o rabo
Os homenzinhos que jogam box
A perereca verde que de repente dá um pulo que engraçado
E as canetinhas-tinteiro que jamais escreverão coisa alguma
Alegria das calçadas
Uns falam pelos cotovelos:
- “O cavalheiro chega em casa e diz: Meu filho, vai buscar um pedaço de banana para eu acender o charuto.
Naturalmente o menino pensará: papai está malu...”
Outros coitados, têm a língua atada.
Todos porém sabem mexer nos cordéis com o tino ingênuo de demiurgos de inutilidades.
E ensinam no tumulto das ruas os mitos heroicos da meninice...
E dão aos homens que passam preocupados ou tristes uma lição de infância.
O nível de linguagem adotado no poema cumpre papel expressivo em função de:
mostrar elementos, tipicamente, regionais.
explorar traços da linguagem infantil.
apontar inúmeros estrangeirismos.
representar, exclusivamente, o registro formal.