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Para responder a questão 06, leia o seguinte poema de Carlos Drummond de Andrade:
Oficina Irritada
Eu quero compor um soneto duro
como poeta algum ousara escrever.
Eu quero pintar um soneto escuro,
seco, abafado, difícil de ler.
Quero que meu soneto, no futuro,
não desperte em ninguém nenhum prazer.
E que, no seu maligno ar imaturo,
ao mesmo tempo saiba ser, não ser.
Esse meu verbo antipático e impuro
há de pungir, há de fazer sofrer,
tendão de Vênus sob o pedicuro.
Ninguém o lembrará: tiro no muro,
cão mijando no caos, enquanto Arcturo,
claro enigma, se deixa surpreender.
(Carlos Drummond de Andrade. Claro Enigma. Nova Aguilar, 1988.)
O poeta usa o pretérito mais-que-perfeito do indicativo, numa das estrofes, para
marcar o poema que gostaria de compor no momento em que enunciava tal desejo.
denotar a suposição do eu-lírico entre o ser e o não ser.
explicitar uma ousadia até então nunca escrita.
postergar a lembrança do poema para um tempo futuro.