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Atenção: As questões de números 1 a 15 baseiam-se no texto apresentado abaixo.
Schwarzenegger governador da Califórnia
Schwarzenegger não é um político. Isso deveria torná-lo mais simpático. Em geral, nas democracias, os eleitores consideram os políticos profissionais uma espécie daninha que prolifera no interstício entre os cidadãos e o exercício do poder que deveria ser deles. Curiosamente, os mesmos cidadãos também menosprezam o homem comum que se candidata a um ofício público. Ele é acusado, no mínimo, de inexperiência: seu mérito (de não ser um político profissional) é transformado em fraqueza. Paradoxal, não é?
Suspeito que a candidatura do cidadão comum nos incomoda porque denuncia nosso absenteísmo. Insistimos na incompetência do homem da rua que se candidata porque queremos justificar nossa preguiça cívica.
Mas, no caso de Schwarzenegger, não se trata só disso. Há uma outra condenação: “Logo um ator! E de que filmes!”. Alguns acrescentam: “Outro?”, evocando Ronald Reagan (que também era ator). Essa lembrança confirma o preconceito. Afinal, quem diria: “Um advogado não, já tivemos Clinton”? Ou: “Um administrador de empresas não, já tivemos Bush”?
A ambivalência em relação aos atores é coisa antiga. Desde a aurora da modernidade eles são esperados (enfim, alguém vem nos divertir) e receados: nômades e devassos, enchem de sonhos perigosos as cabeças de nossas crianças. Claro, os atores nos enganam: passam a vida fantasiados, encarnando personagens que pouco têm a ver com quem eles são de verdade. Mas será que nosso vizinho faz diferente quando desfila com um carro emprestado como se fosse dele?
Somos todos atores: o culto das aparências é a chave que nos liberta do destino que seria reservado pelo nosso passado e por nossa origem. O aprendizado da vida social moderna é uma escola de recitação. Se desprezamos os atores, é porque desprezamos a “mentira” de nossas vidas.
(Contardo Calligaris, Terra de ninguém)
Justifica-se inteiramente o emprego na forma plural de ambos os elementos sublinhados na seguinte frase:
Já que se desprezam os atores, por que não se corrigem as mentiras da vida de cada um?
A esses eleitores impõem-se admitir os preconceitos de que se nutrem seu julgamento na hora de importantes decisões.
Nenhum dos votos, nas democracias, deixam de ter conseqüências, já que a todos se darão a mesma acolhida, com o mesmo peso.
O que nessas frases se sugerem, quanto ao ator e seus filmes, é que, por serem medíocres, a eles não se devem reagir senão com desprezo.
Teriam havido momentos, na História, em que se viessem a retribuir aos atores apenas com aplausos e homenagens?