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Leia o Texto 3 para responder às questões de 7 a 10.
Texto 3
Resgatar as receitas é convocar as “almas” com o per-
fume doce das damas-da-noite que habitam as frestas dos
muros desgastados de adobe e as tortuosas ruas de pe-
dras. Almas que habitam os quintais sombreados pelas
mangueiras. É evocar frases e sons retidos na argamas-
sa das paredes de taipas. É trazer novamente as luzes e
o brilho das licoreiras de cristal e dos saraus no Palácio
Conde dos Arcos. Ouvir ecos das vozes recitando poe-
mas no Clube Literário. É sentir o calor do abraço de des-
pedida e o som dos pés se arrastando na procissão. É,
quase possível, ouvir o órgão e as velas escorrendo dos
castiçais na Igreja Boa Morte. Os latidos dos cães no
mercado. A voz longínqua do vendedor de bolo de arroz
na tarde quente. As “almas” das coisas podem re-existir,
tocar corações, sussurrar lembranças, habitar cozinhas
modernas, pessoas diversas em outras cidades e países.
Só a Arte, aqui a arte culinária, permite esse trânsito,
subvertendo o espaço-tempo linear, conduzindo a memó-
ria de cada um a lugares esquecidos, lugares nunca visi
tados – enriquecer o cotidiano trivial de cada um. Uma fa-
tia de bolo pode sim, como diz Proust, conter toda uma
infância, uma cidade, um estado e um país.
LIMA, Ana Chrisitna da Rocha. Nádia Köller – memórias e receitas de Goyaz. Goiânia: Eclea, 2017. p. 13.
No enunciado “Uma fatia de bolo pode sim, como diz Proust, conter toda uma infância, uma cidade, um estado e um país” (linha 20) “uma fatia de bolo”, por metonímia, é o mesmo que
repositório.
depósito.
estoque.
memória.