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TEXTO 2
A falta que nos move
Como lidar com a sensação de vazio, de necessidade e carência que boa parte de nós experimenta.
Transformação pessoal
50_____Numa entrevista recente, a atriz Isis
51 Valverde desabafou: “Tenho um buraco
52 enorme dentro de mim, uma falta que não
53 consigo explicar ou preencher, e que está
54 sempre presente em tudo o que faço”. Como
55 um pano de fundo, esse sentimento a
56 acompanha em suas conquistas, projetos,
57 relacionamentos. Às vezes, fica encoberto,
58 mas, se há um pouco de silêncio interior, ele
59 pode se manifestar claramente. E isso não
60 acontece só com ela. O que Isis descreveu
61 tão bem é algo que habita o coração de
62 todos.
63_____Essa quase indefinível sensação de
64 necessidade e carência foi descrita pela
65 filosofia, pela psicologia, pela literatura. Para
66 alguns, ela é intensa; para outros, apresenta-
67 se menos profundamente e com mais
68 raridade, porém, uma vez ou outra na vida,
69 nos encontramos com esse sentimento
70 inequívoco de falta de algo que nem
71 conseguimos definir direito o que é. “Na
72 mitologia grega, a mãe de Eros, o desejo,
73 é a Penúria, a falta. Sabiamente, os gregos
74 colocavam a carência como a origem de tudo
75 que desejamos na vida. Para eles, esse gosto
76 de escassez, de insuficiência, de insatisfação
77 é a grande faísca que dá partida às nossas
78 ações, planos e sonhos”, diz a professora
79 de mitologia Helenice Hartmann.
80_____Saber disso gera alívio. Muita gente
81 não consegue identificar esse aperto no peito
82 que nos angustia, e mal percebe que ele está
83 ali presente, ou que sequer existe. Ao dar um
84 nome para esse sentimento difuso, mas
85 insistente, a vida pode se reorganizar de uma
86 maneira diferente. Podemos reconhecer o que
87 nos incomoda e, mais que isso, observar
88 como essa falta primordial é capaz de
89 conduzir, nem sempre de uma maneira mais
90 sábia, a maioria dos nossos movimentos
91 existenciais. Com base nessa nova
92 existenciais. Com base nessa nova
93 mais equilibrada de nossos desejos: já
94 sabemos o que os origina, e assim podemos
95 administrá-los melhor. Se admitirmos que
96 essa falta jamais será preenchida com as
97 ilusões do universo material, ou mesmo
98 emocional, vamos abrandar a fome com que
99 nos atiramos às pessoas e às coisas. Dessa
100 maneira, é possível nos contentarmos e nos
101 sentirmos gratos com o que já temos, pois
102 atendemos a essa necessidade de outra
103 forma. “Não se trata de suprimir o desejo,
104 mas de transformá-lo: de desejar um pouco
105 menos aquilo que nos falta e um pouco mais
106 aquilo que temos; de desejar um pouco
107 menos o que não depende de nós e um pouco
108 mais aquilo que, de fato, depende”, sugere o
109 filósofo francês André Comte-Sponville.
110 Sem dúvida, isso já é um ótimo começo.
111_________A Descoberta da Falta
112_____Saber que existe esse vazio interno
113 pode se tornar uma descoberta fascinante.
114_________Amar um Pouco Mais
115_____A lógica é simples: se espero conseguir
116 algo, é porque me falta alguma coisa, certo?
117 Portanto a esperança primordial, aquela que
118 alicerça todas as outras esperanças que
119 habitam nosso coração, é nossa vontade de
120 conseguir preencher esse vazio que nos
121 consome. Por isso mesmo, os estoicos
122 desconfiavam muito dela. “Esperar um pouco
123 menos, amar um pouco mais”, propunha essa
124 antiga corrente de filosofia da Grécia.
(Vida Simples. Set 2011, p. 48-51)
Assinale a opção que contém os elementos que estruturam a palavra “indefinível”, linha 63, separados e classificados corretamente.
in (prefixo) + definir (raiz) + ível (sufixo)
in (sufixo) + definir (raiz) + ível (prefixo)
inde (raiz) + finir (prefixo) + vel (raiz)
inde (raiz) + finir (sufixo) + vel (raiz)