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Há certos recursos da linguagem – pausa, melodia, entonação...

Texto para as questões 6 e 7


SARNA PARA SE COÇAR


-------------A palavra “estresse” virou uma grande vilã dos tempos modernos. Injustamente,

-----eu diria – porque o estresse não é uma coisa só. Para começar, deve-se separar o estresse

-----(um problema a resolver) da resposta ao estresse (as mudanças que o cérebro orquestra

-----no corpo, e nele mesmo, para resolver o problema). E como gostamos de um problema!

5 ---A resposta aguda, imediata, ao estresse – a atenção aumentada, a maior disposição, a

-----mobilização de reservas de energia e a sensação de força que vem com ela – tem tudo

-----para ser uma grande aliada, pois aumenta nossas chances de resolver o problema da vez.

-------------Até a resposta dada agora ao problema de amanhã (o relatório a entregar, a conta

-----por pagar), mais conhecida pelo nome de “ansiedade”, tem lá suas vantagens: começando a

10 --nos preocupar agora, temos mais chances de nos lembrar do problema a resolver e ainda

-----ganhamos um tempo para pensar em estratégias e alternativas.

-------------O lado ruim do estresse surge quando, apesar de toda a preparação de cérebro e

-----corpo para resolver o assunto, o problema não some. Assim, o estresse torna-se crônico:

-----abusos físicos ou verbais, a falta de dinheiro que não se resolve, a doença que não cede, a

15 --solidão. Nesses casos em que suas tentativas iniciais falharam, o cérebro, sem controle da

-----situação, muda de estratégia e, ao invés de usar as reservas disponíveis, passa a armazená-

-----las. Aqui, sim, a resposta crônica ao estresse torna-se nociva, com acúmulo de gordura,

-----hipertensão, desgaste mental e risco aumentado de transtornos de humor e de ansiedade.

-------------Mas a maior parte dos estresses da vida são pequenos e, sobretudo, voluntários.

20 --E como gostamos de arranjar pequenos problemas para resolver! Ao nosso alcance, nem

-----fáceis demais nem difíceis demais, os problemas que nós mesmos nos colocamos nos

-----deixam no controle da situação – algo que o cérebro adora. Não é surpresa que seja tão

-----difícil ficar à toa. Por que mais compraríamos palavras cruzadas ou revistinhas de lógica

-----para resolver no ônibus ou no avião, ou montaríamos quebra cabeças, se não pelo prazer de

25 --ter um problema para resolver? O cérebro, pelo visto, adora arranjar sarna para se coçar...


HERCULANO-HOUZEL, Suzana. Jornal Folha de S.Paulo.

Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq2805200909.htm>

Acesso em 04/11/2016 (adaptado).

Há certos recursos da linguagem – pausa, melodia, entonação e até mesmo silêncio – que só estão presentes na oralidade. Na linguagem escrita, para substituir tais recursos usamos os sinais de pontuação.


Atente às considerações abaixo acerca da redação do texto proposto:


I) O emprego das aspas nesse texto foi realizado, em ambas as situações, por razões semânticas e gramaticais distintas.

II) A construção oracional que aparece entre os travessões (linhas 5 e 6) está, semanticamente, na função de apresentar as reações imediatas dadas pelo cérebro diante do estresse.

III) Na linha 9, os dois-pontos têm a função de trazer, na sequência, o argumento sobre a vantagem de uma pessoa ter ansiedade.

IV) O trecho “o cérebro, sem controle da situação, muda de estratégia” (linha 15) poderia ser corretamente escrito sem o uso de ambas as vírgulas, não havendo qualquer alteração semântica ou sintática.

V) Na linha 4, bem como na linha 20, o uso do ponto de exclamação traduz a carga emotiva da autora do texto ao expor sua opinião acerca do assunto abordado.


Estão CORRETAS as assertivas expostas nos itens:


A

I, II e III


B

I, II, IV e V


C

II, III e V


D

II, IV e V


E

II, III, IV e V