

Seu próximo nível começa aqui
Seu desenvolvimento não pode ter limites. Garanta sua Assinatura Ilimitada e libere uma preparação completa com os melhores professores do Brasil.
Texto III – itens de 21 a 30
1____A ética contemporânea faz grande alvoroço em torno
das diferenças culturais. Sua concepção do outro tem em vista
essencialmente esse tipo de diferenças. E seu grande ideal é a
4 coexistência tranqüila das comunidades culturais, religiosas,
nacionais etc., a recusa da “exclusão”.
Mas é preciso sustentar que essas diferenças não têm
7 qualquer interesse para o pensamento, não são mais que a
evidente multiplicidade infinita da espécie humana, a qual é tão
flagrante entre mim e meu primo de Lyon como entre a
10 comunidade xiita do Iraque e os cowboys do Texas.
O embasamento objet ivo (ou à maneira de
historiador) da ética contemporânea é o culturalismo, a
13 fascinação verdadeiramente turística pela multiplicidade dos
hábitos, dos costumes, das crenças. E especialmente pela
inevitável bizarria das formações imagin árias (religiões,
16 representações sexuais, formas de encarnação da autoridade...).
Sim, o essencial da “objetividade” ét ica provém de uma
sociologia vulgar, diretamente herdada do espanto colonial
19 diante dos selvagens, ficando entendido que os selvagens estão
também entre nós (drogados dos subúrbios, comunidades
religiosas, seitas: todo o aparato jornalístico da ameaçadora
22 alteridade interna), ao que a ética, sem mudar o dispositivo de
investigação, opõe seu “reconhecimento” e seus trabalhadores
sociais.
25___Contra essas descrições fúteis (tudo o que nos contam
ali é uma realidade ao mesmo tempo evidente e por si mesma
inconsistente), o pensamento verdadeiro deve afirmar o
28 seguinte: sendo as diferenças o que há, e toda verdade sendo o
vir-a-ser do que ainda não é, as diferenças são precisamente o
que toda verdade deposita, ou faz aparecer, como insignificante.
31 Nenhuma situação concreta é esclarecida em razão do
“reconhecimento do outro”. Em toda configuração coletiva
moderna, há pessoas de toda parte, que comem
34 diferentemente, falam múltiplos idiomas, usam diferentes
chapéus, praticam diferentes ritos, têm uma relação complicada
e variável com a coisa sexual, amam a autoridade ou a
37 desordem; e assim segue o mundo.
A. Badiou. Ética: um ensaio sobre a consciência do mal. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1995, p. 40-1 (com adaptações).
Com relações às idéias do texto III e a aspectos morfossintáticos, julgue os itens subseqüentes.
Atendendo-se à prescrição gramatical e mantendo-se a coerência com as idéias defendidas no texto, o seguinte período poderia dar continuidade ao texto III: Ou seja, a alteridade é simplesmente o que há. Existe, portanto, igual diferença entre, digamos, um camponês chinês e um funcionário norueguês tal qual entre eu e qualquer pessoa, inclusive, eu mesmo.
Certo
Errado