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Proust
Na doença é que descobrimos que não vivemos sozinhos, mas sim encadeados a um ser de um reino diferente, de que nos separam abismos, que não nos conhece e pelo qual nos é impossível fazer-nos compreender: o nosso corpo. Qualquer assaltante que encontremos numa estrada, talvez consigamos torná-lo sensível ao seu interesse particular, senão à nossa desgraça. Mas pedir compaixão a nosso corpo, é discorrer diante de um polvo, para quem as nossas palavras não podem ter mais sentido que o rumor das águas, e com o qual ficaríamos cheios de horror de ser obrigados a viver.
Segundo o texto, o nosso corpo:
tem plena consciência de viver encadeado a um ser diferente;
conhece perfeitamente o outro ser a que está encadeado;
é separado de nossa alma por um abismo intransponível;
se torna conhecido pouco a pouco;
só na doença é que tem sua existência reconhecida.