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O poema a seguir se refere às questões de 11 a 15.
O açúcar
Ferreira Gullar
O branco açúcar que adoçará meu café
nesta manhã de Ipanema
não foi produzido por mim
nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.
Vejo-o puro
e afável ao paladar
como beijo de moça, água
na pele, flor
que se dissolve na boca. Mas este açúcar
não foi feito por mim.
Este açúcar veio
da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira,
dono da mercearia.
Este açúcar veio
de uma usina de açúcar em Pernambuco
ou no Estado do Rio
e tampouco o fez o dono da usina.
Este açúcar era cana
e veio dos canaviais extensos
que não nascem por acaso
no regaço do vale.
Em lugares distantes, onde não há hospital
nem escola,
homens que não sabem ler e morrem de fome
aos 27 anos
plantaram e colheram a cana
que viraria açúcar.
Em usinas escuras,
homens de vida amarga
e dura
produziram este açúcar
branco e puro
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.
Em relação a figuras de linguagem, na última estrofe, observa-se o uso de:
Personificação, uma vez que “açúcar” desempenha ações humanas.
Hipérbole, expressada pela sentença “vida amarga e dura”.
Antítese, expressada na contraposição entre “usinas escuras”/”açúcar branco” e “vida amarga”/açúcar que adoça.
Metáfora, ao descrever o açúcar como branco e puro.
Aliteração, através do uso das consoantes bilabiais b (de branco) e p (de puro).