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Com base nos textos a seguir, responda às questões 22, 23, 24 e 25:
I. AULA DE PORTUGUÊS
A linguagem
na ponta da língua,
tão fácil de falar
e de entender.
A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que ela quer dizer?
Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, esquipáticas,
atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me.
Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a prima.
O português são dois; o outro, mistério.
(Carlos Drummond de Andrade)
II. Um Professor de “agramática”
Descobri aos 13 anos que o que me dava prazer nas leituras não era a beleza das frases, mas a doença
delas.
Comuniquei ao Padre Ezequiel, um meu Preceptor, esse gosto esquisito.
Eu pensava que fosse um sujeito escaleno.
– Gostar de fazer defeitos na frase é muito saudável, o Padre me disse.
Ele fez um limpamento em meus receios.
O Padre falou ainda: Manoel, isso não é doença, pode muito que você carregue para o resto da vida um certo gosto por nadas...
E se riu.
Você não é de bugre? – ele continuou.
Que sim, eu respondi.
Veja que bugre só pega por desvios, não anda em estradas –
Pois é nos desvios que encontra as melhores surpresas e os ariticuns maduros.
Há que apenas saber errar bem o seu idioma.
Esse Padre Ezequiel foi o meu primeiro professor de agramática.
(Manoel de Barros)
No poema de Drummond (texto I), pode-se afirmar que, entre outros temas, estabelece-se a relação entre língua(gem), e que pode ser atestada quando a defrontamos com a definição proposta em alguns trabalhos clássicos de linguístas famosos. Em razão disso, marque a alternativa que melhor definiria o posicionamento do eu-lírico a respeito desse assunto:
“A linguagem é um método puramente humano e não instintivo de se comunicarem ideias, emoções e desejos por meio de símbolos voluntariamente produzidos.” (SAPIR, E. A linguagem, Introdução ao Estado da Fala.Trad. de Joaquim Mattoso Câmara Jr. Rio de Janeiro: INL, 1921, p. 08)
“Uma língua é um sistema de símbolos vocais arbitrários por meio dos quais um grupo social co- opera.” (BLOCH, B. & TRAGER, G.L. Outline of Linguistic Analysis. Baltimore: Linguistic Society of America, 1942, p. 05)
“[...] língua(gem) é a instituição pela qual os humanos se comunicam e interagem uns com os outros por meio de símbolos arbitrários orais-auditivos habitualmente utilizados.” (HALL, R.A. An Essay on Language. Filadélfia e Nova York: Chilton Books, 1968, p. 158)
“[...] as línguas são sistemas de símbolos [...] quase totalmente baseados em conversações puras ou arbitrárias.” (ROBINS, R. H. General Linguistics: An Introdutoctory Survey. 3ª ed. Londres: Longman, 1964, p. 09-14)
“Doravente considerarei uma língua(gem) como um conjunto (finito ou infinito) de sentenças, cada uma finita em comprimento e construída a partir de um conjunto finito de elementos.” (CHOMSKY, N. Syntactic Structures. The Hague: Mouton, 1957, p. 13)