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Leia o texto para responder às questões de números 40 a 44.
Meu vizinho das quintas-feiras, Sérgio Rodrigues, já abordou o tema com muito mais propriedade do que eu seria capaz, mas ele tem me irritado tanto (o tema, não o Sérgio) que vou invadir o quintal alheio e bater na mesma tecla. De um ano pra cá, comecei a ouvir frases do tipo “não é sobre opinião, é sobre respeito” ou “não é sobre alimentação, é sobre saúde”, “não é sobre direitos, é sobre deveres”.
A primeira vez que me deparei com este novo uso do “sobre”, pensei que estavam falando “sobre” algum filme, livro ou peça de teatro. A respeito de “Superman I”, por exemplo, poderíamos dizer que “não é sobre superpoderes, é sobre amor”. Assim como “Casa de Bonecas”, do Ibsen, “não é sobre um casamento, é sobre a liberdade”. Prestando mais atenção, porém, percebi que o sentido era outro. Era o “sobre” como “ter a ver com”. Trata-se de uma tradução troncha de “it’s not about”, que os anglófonos usam a torto e a direito. Ou melhor, nós usamos torto, eles usam direito.
(Antônio Prata, Sobre o “sobre”. Em: Folha de S.Paulo, 29.10.2017)
Tomando-se por referência a teoria de Bakhtin (1992), conclui-se que o texto de Antônio Prata corresponde a um gênero discursivo
primário, com base em sua estrutura pouco formal e pela liberdade como expressa determinados pontos de vista.
secundário, pois aparece em situação de comunicação cultural escrita mais complexa, devido ao suporte textual em que circula.
primário, considerando-se que o autor faz uso recorrente da primeira pessoa do singular, marca de textos cotidianos.
secundário, já que mantém uma relação direta com a realidade que representa, sem nenhuma alteração ideológica.
primário, a partir de uma situação de comunicação prosaica muito mais marcada pela fala do que pelas marcas da escrita.