Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
- ___“Lembrei-me de um desenho animado clássico”, ele começa, “de um prisioneiro balançando
- as grades, tentando desesperadamente escapar... Mas à sua direita e à esquerda, a cela está
- aberta, não há grades”.
- ___Ele faz uma pausa, deixando que a imagem fique clara.
- ___“O prisioneiro só precisa dar a volta, mas, mesmo assim, ele balança freneticamente as
- grades. Isso acontece com a maioria de nós. Sentimo-nos completamente empacados, presos
- em nossas celas emocionais, mas existe uma saída... Desde que estejamos dispostos a vê-la”.
- ___Ele deixa que essa parte permaneça entre nós. Desde que estejamos dispostos a vê-la.
- Gesticula para uma cela de prisão imaginária, convidando-me a vê-la.
- ___Eu desvio o olhar, mas sinto os olhos de Wendell em mim.
- ___Suspiro. Tudo bem.
- ___Fecho os olhos e respiro fundo. Começo a visualizar a prisão, uma cela minúscula com
- paredes de um bege monótono. Visualizo as barras de metal, grossas, cinza e enferrujadas. Vejo
- a mim mesma em um macacão laranja, sacudindo aquelas barras com fúria, implorando soltura.
- Visualizo minha vida nessa cela minúscula, com nada além do cheiro pungente de urina e a
- perspectiva de um futuro lúgubre, limitado. Imagino-me gritando: “Tirem-me daqui! Salvem-
- me!”. Vejo-me olhando freneticamente à direita, depois à esquerda, e em seguida, fixo o olhar
- surpresa. Noto todo o meu corpo reagindo; sinto-me mais leve, como se tivessem sido tirados
- quinhentos quilos, quando me ....... a compreensão: Você é seu próprio carcereiro.
- ___Abro os olhos e dou uma olhada em Wendell. Ele levanta a __________ direita, como que
- dizendo: Eu sei... você vê. Eu vi você vendo.
- ___“Continue olhando”, ele sussurra.
- ___Torno a fechar os olhos. Agora, estou contornando as grades e me dirigindo para a saída,
- no início com certa __________, mas conforme vou me aproximando dela, começo a correr. Do
- lado de fora, posso sentir meus pés na terra, a brisa na pele, o calor do sol no rosto. Estou livre!
- Corro o mais rápido que posso, e então, depois de um tempo, diminuo a velocidade e dou uma
- olhada às minhas costas. Nenhum guarda da prisão está me perseguindo. Ocorre-me que, para
- começo de conversa, não havia guardas na prisão. É claro!
- ___A maioria de nós ....... à terapia sentindo-se encurralado, aprisionado por nossos
- pensamentos, comportamentos, casamento, trabalho, medos ou o passado. Às vezes,
- aprisionamo-nos com uma narrativa de autopunição. Se tivermos uma escolha entre acreditar
- em uma de duas coisas, ambas das quais podendo ser comprovadas: sou incapaz de despertar
- afeto, ou sou amado, frequentemente escolhemos a que nos faz sentir ........
mantemos - nossos rádios sintonizados nas mesmas estações com estática (a estação “a vida de todo mundo
- é melhor do que a minha”, a estação “não posso confiar nas pessoas”, a estação “nada dá certo
- para mim”), em vez de girar o dial para lá ou para cá? Mude a estação. Contorne as barras.
- Quem está nos impedindo senão nós mesmos?
- ___Existe uma saída, desde que estejamos dispostos a vê-la. Justo um desenho animado me
- ensinou o segredo da vida.
- ___Abro os olhos e sorrio. Wendell sorri de volta. É um sorriso conspiratório, que diz: Não se
- engane. Pode parecer que você teve um avanço de abalar a terra nesta _______, mas isso é só
- o começo. Sei muito bem quais desafios estão à frente, e Wendell sabe que eu sei,
nós - dois sabemos de algo mais: a liberdade envolve responsabilidade, e existe uma parte na maioria
- de nós que acha a responsabilidade assustadora.
- ___Poderia parecer mais seguro ficar na prisão? Contornar as barras na minha mente é
- diferente de contorná-las na vida real. Minha máxima preferida do meu ofício é “O insight é o
- prêmio de consolação da terapia”, significando que você pode ter toda a percepção do mundo,
- mas se não mudar quando estiver à solta lá fora, o insight – e a terapia – são inúteis. O insight
- permite que você se pergunte: Isso é algo que estão fazendo comigo, ou eu estou causando a
- mim mesmo? A resposta lhe dá escolhas, mas cabe a você fazê-las.
(Extraído e adaptado de: Lori Gottlieb, “Talvez você deva conversar com alguém: uma terapeuta, o terapeuta
dela e a vida de todos nós”, tradução de Elisa Nazarian, 1ª ed. São Paulo: Vestígio, 2021, pp. 170-171) .