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Leia o poema “Cárcere das almas”, de Cruz e Souza.
Ah! Toda a Alma num cárcere anda presa,
soluçando nas trevas, entre as grades
do calabouço olhando imensidades,
mares, estrelas, tardes, natureza.
Tudo se veste de uma igual grandeza
quando a alma entre grilhões as liberdades
sonha e sonhando, as imortalidades
rasga no etéreo Espaço da Pureza.
Ó almas presas, mudas e fechadas
nas prisões colossais e abandonadas,
da Dor no calabouço, atroz, funéreo!
Nesses silêncios solitários, graves,
que chaveiro do Céu possui as chaves
para abrir-vos as portas do Mistério?!
Na história da literatura brasileira, esse poema se inscreve no movimento simbolista. Em relação ao Simbolismo, assinale a alternativa correta.
O Simbolismo promoveu uma ruptura com o ideal de arte pela arte proposto pelo Romantismo, ao resgatar os elos entre poesia e existência, constituindo uma resposta artística aos valores humanos perdidos em razão da industrialização então vigente.
Embora historicamente esteja enquadrado no Simbolismo, o poeta Cruz e Souza apresenta características formais e temáticas parnasianas, como exemplifica o poema transcrito.
Nesse soneto, o eu-lírico revela uma busca angustiada pela libertação da alma, que se encontra aprisionada ao corpo físico. Essa angústia se relaciona ao contexto da época, marcado pelo progresso científico e tecnológico, pois, para os simbolistas, tal progresso era visto como decadência espiritual e imposição da matéria.
Em oposição às características inerentes à estética romântica, esse soneto apresenta aspectos temáticos como a evasão e o escapismo, além de traços formais tipicamente parnasianos, como os versos decassílabos, as rimas ricas e a linguagem culta.
Como ilustra o poema transcrito, o Simbolismo, assim como o Parnasianismo, caracterizou-se pelo culto da forma e pela religiosidade. Assim, ao tematizarem o conflito entre o espírito e a matéria, tanto os parnasianos quanto os simbolistas privilegiam a profusão de maiúsculas para conferir valor absoluto a certos termos.