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Observe o trecho abaixo, retirado de um artigo científico:
Observando a luta por igualdade de gênero e seus efeitos sobre o processo eleitoral, três considerações são dignas de registro: a primeira é de que é impossível falar em tratamento igualitário entre homens e mulheres sem compreender as causas da profunda desigualdade que estrutura as opções dos eleitores antes mesmo da possibilidade de escolha dos candidatos. Se a baixa representatividade das mulheres na ALBA (Assembleia Legislativa do Estado da Bahia) permanece gerando efeitos negativos para as lutas do movimento feminista na Bahia, uma avaliação que contemple suas causas – sociais e econômicas, precisam de um diagnóstico mais contundente.
SILVA TEIXEIRA, Erica; ZAIDAN DE CARVALHO, Alexandre Douglas. Mulheres na assembleia legislativa da Bahia no pós-1988. Revista Eletrônica Direito e Política, Programa de Pós- -Graduação Stricto Sensu em Ciência Jurídica da UNIVALI, Itajaí, v.16, n.1, 1º quadrimestre de 2021. Disponível em: www.univali.br/direitoepolitica - ISSN 1980-7791. Acesso em: 23 fez 2022.
De acordo com Fiorin e Savioli (2008), o discurso dissertativo de caráter científico deve ser elaborado de maneira a criar um efeito de sentido de objetividade, pois pretende dar destaque ao conteúdo das afirmações feitas ao enunciado e não à subjetividade do enunciador. Sendo assim, para neutralizar a presença do enunciador, recomenda-se evitar certos procedimentos linguísticos, tais como:
A exploração do sentido denotativo das palavras visando à precisão conceitual.
Usar a 1ª pessoa do plural ou sujeito indeterminado (sabemos, sabe-se) para indicar que o conteúdo do enunciado é produto de um saber coletivo (ciência).
Utilizar a língua padrão na sua expressão formal, pois não se ajusta ao texto científico o uso de gírias ou quaisquer usos linguísticos distanciados da modalidade culta e formal da língua.
Usar os verbos de dizer na 1ª pessoa do singular (digo, afirmo, penso) para certificar que o conteúdo do enunciado é opinião de quem o proferiu (enunciador).