Imagem de fundo

Sintática e semanticamente, o pronome “lhe” (linha 17) é...

Texto para as questões de 1 a 10.


1 ____ A máquina de fotografar mudou a história do olhar

humano. Na sequência, o cinema nos ensinou a ver o

mundo de um modo diferente. A televisão concentrou

4 nosso olhar dentro da pequena tela doméstica, uma espécie

de prisão para os espíritos mais inquietos, um conforto

visual para outros menos preocupados. O computador

7 ajudou a concentrar nossos corpos diante de uma tela com

possibilidades infinitas, ou aparentemente infinitas. Os

tablets hipnotizaram muita gente com a novidade do

10 touchpower. Finalmente, os telefones celulares

concentraram todas essas possibilidades, facilitando a

relação tanto com o mundo visual quanto com o virtual, e,

13 também por isso, passaram a valer como um órgão do corpo

humano.

____ Isso é provado empiricamente no momento em

16 que alguém perde um celular. É como se esse alguém

perdesse o órgão físico que lhe permite conexão com o

mundo. Se alguém ainda especula sobre o “sexto sentido”,

o celular é o mais forte candidato a ocupar o lugar desse

saber além dos sentidos corporais clássicos.

____ Os aparatos técnicos controlam nossa relação com

22 o mundo visual há muito tempo. Desde que o virtual surgiu,

esses aparelhos que conjugam todas essas possibilidades

controlam o todo de nossas percepções. Até aí nada demais.

25 Já sabemos disso. Mas, se sabemos, por que não mudamos

aquilo que já conhecemos e aprendemos a criticar tão bem?

Essa não é uma pergunta retórica, feita apenas por fazer. É

28 uma pergunta que, levada a sério, nos confronta com

nossos próprios limites. Ora, não mudamos nossa relação

com esses objetos porque eles criam hábitos. E não há nada

31 mais forte em nossas vidas do que nossos hábitos. Os

hábitos nos dão segurança e senso de pertencimento, o

conforto do que é conhecido para nós.

34 ____ O que chamamos de consumismo é, na verdade,

um hábito. Não abandonamos os mais diversos produtos

que nos fazem mal ou que fazem mal à natureza ou a

37 alguém, não deixamos de lado o cigarro, as comidas

industrializadas, o carro ou o sedentarismo porque eles têm

a força do hábito. Os hábitos nos dão prazer porque

40 poupam nosso empenho e esforço em uma sociedade que

já exige muito de nossos corpos. E quando entram em cena

os esforços mentais, tudo o que queremos é ser poupados.

43 Somos devotos do deus da inércia. O celular vem a ser uma

parte do ritual desse culto, pois nos poupa empenho e

esforço. E nos dá a sensação de potencialidades abertas. Ele

46 é o melhor exemplo de pequena potencialidade

literalmente ao alcance da mão que nos livra de muitos

desempenhos que seriam sofríveis se tivéssemos que nos

49 esforçar por eles a todo momento. Nós nos regozijamos

com a superficialidade porque, de fato, interpretamos que

ela é o que tem que ser. Somos signatários dessa vida

52 instantânea, imediata, sem densidade. Estamos habituados

à superfície porque não conhecemos nada melhor do que

ela.


Marcia Tiburi. Nós e os aparelhos: sobre hábitos e prazeres na era da automação humana. Internet: <https://revistacult.uol.com.br/> (com adaptações).

Sintática e semanticamente, o pronome “lhe” (linha 17) é equivalente à expressão


A

nesse alguém.


B

a esse alguém.


C

um celular.


D

com um celular.