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Como exigir de um estudante negro e da periferia que faça...

Texto V


ESCOLA E AFETOS: UM ELOGIO DA RAIVA E DA REVOLTA


__A escola transformadora não suprime a rebeldia e nem a condena de antemão. Ao

contrário, busca desvelar suas causas, canalizando o rancor destrutivo para o

questionamento das injustiças e propondo ações para sua transformação. A raiva e a rebelião

são entendidas como parte do processo para a formação de indivíduos autônomos, capazes

5 de crítica e reflexão.

__Ao propor o desenvolvimento de um sujeito afetivamente inatacável, sem considerar as

etapas que levam a ele e sem propor caminhos para a sua (auto) construção, a BNCC presta

um desserviço a alunos e educadores, responsabilizando-os previamente pelos maus

resultados que surgirão. Como exigir de um estudante negro e da periferia que faça escolhas

10 “livres e com autonomia” para seu “projeto de vida” numa comunidade miserável e

embrutecida pela violência? De que maneira sugerir “resiliência” à estudante que enfrenta o

assédio no transporte público a caminho de uma escola sem infraestrutura e sem professor?

Como cobrar que educadores e educadoras “promovamos direitos humanos” quando seu

direito constitucional à greve é duramente reprimido pelas forças do Estado?

15__Vivemos num mundo injusto e num país abissalmente desigual. É compreensível e

indispensável que alunos e professores sintam raiva, que se indignem. Que a escola esteja

a serviço da transformação da indignação em ação, trabalhando a raiva e a revolta como

insumo básico nas discussões dos aspectos afetivos no ambiente escolar.



RATIER, R.. Educação contra a barbárie. São Paulo: Boitempo, 2019. p. 156-157.



Como exigir de um estudante negro e da periferia que faça escolhas “livres e com autonomia” para seu “projeto de vida” numa comunidade miserável e embrutecida pela violência? De que maneira sugerir “resiliência” à estudante que enfrenta o assédio no transporte público a caminho de uma escola sem infraestrutura e sem professor? Como cobrar que educadores e educadoras “promovamos direitos humanos” quando seu direito constitucional à greve é duramente reprimido pelas forças do Estado? (linhas 9-14)



Nos textos escritos, o uso das aspas tem objetivos distintos, a depender do contexto e da intenção de quem escreve.

No trecho destacado, esse recurso gráfico foi utilizado para


A

referenciar trechos de outro texto.


B

sugerir sentidos opostos às expressões.


C

evidenciar pensamentos específicos do autor.


D

marcar concordância em relação às ideias citadas.