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No verso “- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango...

TEXTO 3


PNEUMOTÓRAX


“Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.

A vida inteira que podia ter sido e que não foi.

Tosse, tosse, tosse.


Mandou chamar o médico:

- Diga trinta e três.

- Trinta e três... trinta e três... trinta e três...

- Respire.

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- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o

pulmão direito infiltrado.

- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?

- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.”


Manuel Bandeira (1886-1968), poeta, acadêmico e

professor de literatura hispano-americana da Faculdade

Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (atual UFRJ).

No verso “- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.”, o médico, pelas mãos do poeta, sintetiza o estado de seu paciente tuberculoso.


Considerado todo o poema, é correto afirmar que nesse verso final:


A

predominam o otimismo e o bom humor diante da adversidade.


B

a esperança da cura é entregue ao acaso.


C

aparecem, combinados, o drama, a ironia, a tragédia, a resignação.


D

estão representados o abandono, a solidão, a insensibilidade.


E

o escárnio e o cinismo sobrepõem-se à misericórdia.