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TEXTO II
Canção do exílio
(Gonçalves Dias)
_____ Minha terra tem palmeiras,
_____ Onde canta o Sabiá;
_____ As aves, que aqui gorjeiam,
4 ____Não gorjeiam como lá.
_____ Nosso céu tem mais estrelas,
_____ Nossas várzeas têm mais flores,
_____ Nossos bosques têm mais vida,
8 ____Nossa vida mais amores.
_____ Em cismar, sozinho, à noite,
_____ Mais prazer encontro eu lá;
_____ Minha terra tem palmeiras,
12 ___Onde canta o Sabiá.
_____ Minha terra tem primores,
_____ Que tais não encontro eu cá;
_____ Em cismar – sozinho, à noite –
_____ Mais prazer encontro eu lá;
_____ Minha terra tem palmeiras,
18 ___Onde canta o Sabiá.
_____ Não permita Deus que eu morra
_____ Sem que eu volte para lá;
_____ Sem que desfrute os primores
_____ Que não encontro por cá;
_____ Sem qu’inda aviste as palmeiras,
24 ___Onde canta o Sabiá.
Coimbra, julho de 1843
(BARBOSA, Frederico (Org.). Clássicos da poesia brasileira – antologia da poesia brasileira anterior ao Modernismo. São Paulo: O Estado de São Paulo/Klick Editora, 1997, p. 66-67.)
Gonçalves Dias é um profundo conhecedor da língua brasileira, sabendo usá-la com grande proveito poético. Considerando esse fato, assinale a alternativa correta quanto à composição da primeira estrofe da “Canção do exílio”.
A ausência de adjetivos dificulta a idealização romântica da terra brasileira.
O emprego de verbos diferentes (“gorjear” e “cantar”) tem o objetivo de separar as aves de uma terra e de outra.
A delimitação de espaços opostos é marcada pelos advérbios “aqui” e “lá”.
Os substantivos “aves” e “Sabiá” são empregados como sinônimos.