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AS QUESTÕES DE 1 A 7 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
TEXTO
1 ___ Um dos direitos garantidos na Constituição Federal de 1988, a segurança é uma necessidade
2 _ fundamental da vida em sociedade e a sensação da ausência dela é capaz de afetar decisivamente a vida de
3 _ todos, dos planos de longo prazo à programação para a diversão no final de semana. Quando o direito à vida é
4 _ ameaçado, o lazer – também protegido pela Constituição Cidadã – vira uma manifestação de resistência em
5 _ meio ao medo.
6 ___ De uma forma geral, de acordo com o sociólogo Ignácio Cano, a segurança pública regrediu em relação
7 _ ao que era há 30 anos, no momento em que foi aprovada a Constituição Federal. Além do crescimento na
8 _ criminalidade, houve um aumento no número de locais em que o Estado não é mais soberano, como áreas
9 _ dominadas por milícias ou pelo tráfico de drogas.
10 ___ “De lá para cá, houve uma deterioração. As taxas de homicídio continuaram crescendo e seguem assim
11 _ no momento. Houve um deslocamento da violência letal como um problema do Sudeste para o Nordeste, assim
12 _ como um aumento da sensação de insegurança. Somos campeões de homicídios no mundo, o que aumenta
13 _ essa percepção de crise permanente na segurança pública”, explicou o coordenador do Laboratório de Análise
14 _ de Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
15 ___ “Naquela época, pensava-se que a redemocratização por si só diminuiria a criminalidade. Uma parte da
16 _ esquerda acreditava que a inclusão social - reduzir a desigualdade somente - resolveria a criminalidade, o que
17 _ não aconteceu. Estudos mostram que essa relação entre pobreza, desigualdade e violência é uma relação de
18 _ longo prazo, ou seja, os efeitos dessa redução da desigualdade recente ainda não afetam a situação atual”,
19 _ complementou Cano.
20 ___ O Rio de Janeiro é hoje o foco das atenções nacionais quando o assunto é segurança pública. Sob
21 _ intervenção federal desde fevereiro deste ano, o estado vive uma crise na área que se agravou nos últimos anos.
22 ___ Embora a sensação de insegurança seja comum aos cidadãos fluminenses, aqueles que vivem em regiões
23 _ dominadas por criminosos são afetados diariamente pelo medo. Um dos exemplos é o Complexo da Maré, na
24 _ capital, onde viviam 129,7 mil pessoas em 2010, segundo o Censo daquele ano.
25 ___ “A Maré é dividida por barreiras invisíveis, entre áreas dominadas por facções diferentes. Mas nos
26 _ últimos anos o direito de ir e vir caiu por causa do Estado, as incursões não têm hora para acontecer. Vi o
27 _ crescimento da opressão do Estado dentro da minha favela”, comentou Flávia Cândido, 36 anos, moradora da
28 _ Maré, estudante de Português e Italiano na UERJ.
29 ___ “Só em 2018, foram 43 incursões policiais, 43 dias sem aula, sem poder ir à faculdade. Só esse ano
30 _ tivemos três grandes operações. No último dia 20 de junho, tivemos a novidade do helicóptero, tendo como
31 _ resultado a morte do Marcos Vinícius (estudante de 14 anos) e mais seis execuções de pessoas que não sabemos
32 _ nem o nome”, lembra Flávia, que é mãe de duas crianças e um adolescente.
33 ___ A sensação permanente de medo afeta toda a vida de quem se sente inseguro, inclusive o lazer. “Fica
34 _ difícil falar de lazer com tudo que o que vivemos. Mas tentamos sobreviver fazendo do luto a luta”, pontuou
35 _ Flávia. “O lazer nosso é poder curtir um futebol, ver o filho jogar, a cerveja, o funk. Não temos acesso a mais
36 _ cultura que isso, porque não existe mobilidade urbana para nós que não seja voltada para o trabalho”,
37 _ completou.
38 ___ Além da insegurança e da falta de mobilidade, comunidades como a de Flávia também sofrem com a
39 limitação causada pelo baixo rendimento médio de seus moradores. Com o orçamento mais apertado, a
40 _ prioridade fica com despesas básicas como alimentação e moradia. Segundo os dados da Pesquisa de
41 _ Orçamentos Familiares 2008-09, os gastos com cultura aumentavam gradualmente conforme a faixa de
42 _ rendimento do domicílio subia.
43 ___ Mas a falta de acesso ao lazer e à cultura em geral é apenas uma parte da restrição ao qual essas
44 _ populações são submetidas. “[Afeta os direitos à] Integridade, saúde, educação. As pessoas não podem ir à
45 _ escola, às vezes não podem ter acesso direito à saúde. O direito ao lazer... E há um impacto forte sobre a
46 _ atividade econômica”, ressaltou Cano.
47 ___ “É algo que tem impacto sistêmico sobre todos os direitos. A violência doméstica tem impacto na
48 _ igualdade de gênero, por exemplo. É difícil achar uma área em que isso não afeta”, completou.
49 ___ Uma das políticas públicas apontadas como saída para o problema da violência, a educação é ameaçada
50 _ diretamente pela insegurança. “Não existe um horário tranquilo para se estudar, já começa com o horário menor
51 _ nas escolas. Temos apenas um colégio de ensino médio funcionando o dia inteiro e um colégio noturno, para
52 _ atender a 140 mil pessoas. Você já não dá o direito à educação. Acabamos tendo que mandar nossos filhos
53 _ para outros bairros. Temos mães com filhos em escolas de outras comunidades, tendo que passar por essas
54 _ barreiras invisíveis diariamente”, destacou Flávia, mãe de um adolescente de 17 anos que acorda às 5 horas
55 _ para estudar em Copacabana e fugir da precariedade causada pela violência.
56 ___ Em 2009, o IBGE divulgou o suplemento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios sobre
57 _ vitimização e acesso à Justiça no Brasil com dados relativos àquele ano. Além de informações sobre a
58 _ existência de dispositivos de segurança nos domicílios, a publicação mostrou que 47,2% da população com 10
59 _ anos ou mais se sentia insegura na própria cidade, número que subia para 50,3% nas áreas urbanas.
60 ___ “Mais da metade da população urbana se declarou insegura, enquanto esse número foi de 30,7% nas
61 _ áreas rurais. Também havia uma diferença na sensação de segurança entre as regiões do Brasil, com o Norte
62 _ tendo a maior sensação de insegurança (51,8%). Há também essa redução conforme a pessoa se afasta do
63 _ próprio domicílio, com a pessoa se sentindo mais segura na residência (78,6%), depois no bairro (67,1%) e,
64 _ por último, na cidade onde mora (52,8%)”, explicou o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar
65 _ Azeredo.
66 ___ “Além disso, quanto maior o estrato de renda, maior a segurança no domicílio, mas menor no bairro e
67 _ na cidade onde mora. Essa diferença na percepção de segurança desses três locais mostrou-se fundamental
68 _ nesse caso. A pesquisa mostra também que as mulheres se sentem menos seguras no geral na comparação com
69 _ os homens”, complementou Cimar.
70 ___ Com o aumento na criminalidade e 59.103 homicídios dolosos em 2017, de acordo com levantamento
71 _ do Monitor da Violência, existe uma tendência ao aumento na sensação de insegurança, que cada vez mais se
72 _ mostra difundida em grandes cidades como o Rio de Janeiro.
73 ___ “O que fica claro é: se alguém achava que se podia proteger alguns e deixar outros grupos na
74 _ insegurança, a história mostra que não há um caminho para um grupo ou outro, muito embora essa violência
75 _ afete mais alguns. Há que se encontrar uma saída para todos”, encerrou Cano.
FONTE: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias
Há predicado verbal em
“a segurança é uma necessidade fundamental da vida em sociedade” (L.1/2).
“Somos campeões de homicídios no mundo” (L.12).
“essa relação entre pobreza, desigualdade e violência é uma relação de longo prazo” (L.17/18).
“a educação é ameaçada diretamente pela insegurança.” (L.49/50).
“esse número foi de 30,7% nas áreas rurais” (L.60/61).