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Vida Toda LinguagemVida toda linguagem,frase perfeita...

Vida Toda Linguagem


Vida toda linguagem,

frase perfeita sempre, talvez verso,

geralmente sem qualquer adjetivo,

coluna sem ornamento, geralmente partida.

Vida toda linguagem,

há entretanto um verbo, um verbo sempre, e um

nome

aqui, ali, assegurando a perfeição

eterna do período, talvez verso,

talvez interjetivo, verso, verso.

Vida toda linguagem,

feto sugando em língua compassiva

o sangue que criança espalhará – oh metáfora

ativa!

leite jorrado em fonte adolescente,

sêmen de homens maduros, verbo, verbo.

Vida toda linguagem,

bem o conhecem velhos que repetem,

contra negras janelas, cintilantes imagens

que lhes estrelam turvas trajetórias.

Vida toda linguagem –

como todos sabemos

conjugar esses verbos, nomear

esses nomes:

amar, fazer, destruir,

homem, mulher e besta, diabo e anjo

e adeus talvez, e nada.

Vida toda linguagem,

vida sempre perfeita,

imperfeitos somente os vocábulos mortos

com que um homem jovem, nos terraços do

inverno, contra a chuva,

tenta fazê-la eterna – como se lhe faltasse

outra, imortal sintaxe

à vida que é perfeita

língua

eterna

(Mário Faustino, in O Homem e Sua Hora, 1955)


O poeta, crítico literário e jornalista piauiense Mário Faustino (1930/1962) constrói um texto com múltiplas facetas, ou seja, polissêmico. Sobre o texto em análise, NÃO se pode afirmar que:


A

Na vida, tudo são linguagens, manifestações nas mais diversas formas da realidade cotidiana, humana, da qual não se pode fugir.


B

O verbo é o núcleo frasal, podendo ser restringido por nomes, substantivos, núcleos das estruturas nominais, e o adjetivo é o adorno da base nominal, o substantivo.


C

Na linguagem verbal, a perfeição está no uso adequado do verbo, e o verso é o mais perfeito dos gêneros, por sua concisão, encontrando na interjeição a semelhança nominal.


D

Literalmente, o texto não é poético. É, tão somente, um exercício didático da teoria gramatical.