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Sobre os fonemas de palavras retiradas do texto, analise as...

Para responder às questões de 1 a 10, leia atentamente trechos do texto do antropólogo Roberto da Matta intitulado "Você sabe com quem está falando?" (Fonte: revistatrip.uol.com.br, publicado em 14/02/2011 - adaptado).


Não deixa de ser curioso que o ser vivo mais consciente da própria morte, o animal mais certo de que sua única certeza é um limite final e definitivo — a morte —, seja o bicho que mais inventa e questiona limites. Os seus limites e os dos outros. Mais os dos outros que os seus.

A reflexão sobre os limites, sobre o que é suficiente ou bastante para cada um de nós (e consequentemente para os outros), é o resultado de mais igualdade, liberdade, oportunidade, poder de consumo e daquilo que se chama de “modernidade”: de mercado e competição eleitoral e de democracia. Da operação consistente de um sistema que tem no centro o indivíduo-cidadão livre e igual perante a lei. Todas as sociedades que passaram por uma aguda transformação no sentido de maior igualdade, acoplada a uma consciência mais aguda de liberdade, vivem um aparente paradoxo. Como usufruir a liberdade e a igualdade sem ofender os outros e, mais que isso, sem levar o sistema a uma anarquia e a um caos no qual alguns podem fazer tudo, o outro não existe e — como consequência — quem ocupa cargos importantes sobretudo no governo e do Estado acaba virando um mandão (ou mandona) de modo que, em vez de igualdade e limite, temos o justo oposto: uma hierarquia e o enriquecimento dos poderosos por meio daquilo que é o teste mais claro do limite e da igualdade: o sistema eleitoral que os elegeu.

Neste momento em que o Brasil consolida sua democracia e torna-se um ator global, é crucial discutir esse equilíbrio entre o que aspiramos construir como coletividade mais justa e humana e as leis e normas que agindo sobre todos nós e governando por assim dizer esse jogo democrático que vem sendo jogado faz um tempo considerável, considerando nossa história republicana, limitam os nossos movimentos indicando o que é correto e ético realizar. Não nos parece uma tarefa fácil conciliar desejos (que geralmente são ilimitados e odeiam controles) e a questão fundamental de cumprir regras, seguir leis e construir espaços públicos seguros e igualitários, válidos para todos, numa sociedade que também tem o seu lado claramente aristocrático e hierárquico. Um sistema que ama a democracia, mas também gosta de usar o “Você sabe com quem está falando?”. O nosso amor simultâneo pela igualdade e, a seu lado, o nosso afeto pelo familismo e pelo partidarismo governados pela ética de condescendência tão nossa conhecida, que diz: nós somos diferentes e temos biografia; para os amigos tudo, aos inimigos (e estranhos, os que não conhecemos) a lei!

O resultado dessa tomada de posição, básica numa democracia, é simples, mas muitas vezes ignorado entre nós: a minha liberdade teoricamente ilimitada tem de se ajustar à sua, e as duas acabam promovendo uma conformidade voluntária com limites, com fronteiras cívicas que não podem ser ultrapassadas, como a de furar a fila ou a de dar uma carteirada.

Na sua simplicidade, a fila é um dos melhores, se não for o melhor, exemplos de como operam os limites numa democracia. Seus princípios são simples e reveladores: quem chega primeiro é atendido em primeiro lugar. Numa fila, portanto, não vale o oculto. Ou temos uma clara linha de pessoas, umas atrás das outras, ou a vaca vai para o brejo. Quando eu era menino, lembro-me bem de como era impossível ter uma fila no Brasil. As velhas senhoras e as pessoas importantes (sobretudo os políticos) não se conformavam com suas regras e traziam como argumento para serem atendidos, passando na frente dos outros, ou a idade, ou o cargo, ou conhecimento com quem estava atendendo, ou algum laço de família. Hoje, sabemos que idosos e deficientes não entram em fila. Mas estamos igualmente alertas para o fato de que um cargo ou um laço de amizade não faz de alguém um supercidadão com poderes ilimitados junto aos que estão penando numa fila por algumas horas.

Do mesmo modo e pela mesma lógica, ninguém pode ser sempre o primeiro da fila (e nem o último), como ninguém pode ser campeão para sempre. Se isso acontece, ou seja, se um time campeão mudar as regras para ser campeão para sempre, então o futebol vai pros quintos dos infernos. Ele simplesmente acaba com o jogo como uma disputa. Na disputa, o adversário não é um inimigo; numa fila, quem está na frente não é um superior. O poder ilimitado e congelado ou fixo em pessoas ou partidos, como ocorre nas ditaduras, liquida a democracia justamente porque ele usurpa os limites nos quais se baseia a fila.

Sobre os fonemas de palavras retiradas do texto, analise as afirmações:


( ) "Paradoxo" e "reflexão" possuem o mesmo fonema representando a letra X;

( ) O mesmo caso descrito acima não acontece entre as palavras "existe" e "exemplo";

( ) O pronome "nossos" possui 6 letras e 5 fonemas;

( ) Há dígrafo nas palavras "igualdade", "alguém" e "ninguém";

( ) Em "melhor" e "usufruir" ocorre encontros consonantais e apenas um é considerado dígrafo.


A sequência que analisa corretamente as afirmações, sendo V para verdadeiro e F para falso:


A

V; F; V; F; V.


B

F; F; V; F; F.


C

V; F; V; V; V.


D

V; F; F; V; F.


E

F; V; V; F; F.