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Texto 10 para responder às questões 77 e 78.
------------Somos todos poetas
1---Assisto em mim a um desdobrar de planos.
---As mãos veem, os olhos ouvem, o cérebro se move,
---A luz desce das origens através dos tempos
4--E caminha desde já
---Na frente dos meus sucessores.
---Companheiro,
7--Eu sou tu, sou membro do teu corpo e adubo de tua alma.
---Sou todos e sou um,
---Sou responsável pela lepra do leproso e pela órbita vazia do
10-cego,
---Pelos gritos isolados que não entraram no coro.
---Sou responsável pelas auroras que não se levantam
13-E pela angústia que cresce dia a dia.
--------MENDES, Murilo. A poesia em pânico. In: MENDES, Murilo.
-----Poesia Completa & Prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.
O poema de Murilo Mendes mostra a poesia como atividade humana marcada pelas ações de “desdobrar-se” e “responder por”.
Assinale a alternativa que relaciona a forma do poema com essas ideias.
A enumeração desordenada e ilógica de ações no poema por meio de estrutura rítmica e regular e rimas ricas reflete o estado de espírito fragmentado de quem se sente massacrado pelo cotidiano, mas quer “desdobrar-se”.
A sonoridade do poema contraria a impressão rítmica e sintática de desdobramento de um eu lírico que se apresenta juntando as várias facetas humanas e responsabilizando-se pelas adversidades sociais.
Articulam-se campos de ação semanticamente semelhantes, mas dissociados entre si, que se desdobram e se substituem. Ver, ouvir, mover representam objetivamente a mesma ação para o poeta.
O poema de Murilo Mendes assume, em sua estrutura, a lógica do “desdobrar de planos”, o que se percebe no ritmo do poema, predominantemente fluido, na ordenação sintática que apresenta frases em ordem direta e na sonoridade construída a partir de sons que recorrem uns aos outros e se espelham.
“Desdobrar-se” caracteriza-se, no poema, por uma postura estática e de resignação do eu lírico diante da vida, cujo movimento é contínuo.