Imagem de fundo

É invariável quanto a gênero e a número o termo sublinhado...

Atenção: Para responder às questões de números 1 a 10, considere o poema do escritor mato-grossense Manoel de Barros.


[1] O lugar onde a gente morava quase só tinha bicho

solidão e árvores.

Meu avô namorava a solidão.

Ele era um florilégio de abandono.

[5] De tudo que me restou sobre aquele avô foi esta

imagem: ele deitado na rede com a sua namorada, mas

se a gente o retirasse da rede por alguma necessidade,

a solidão ficava destampada.

Oh, a solidão destampada!

[10] Essa imagem da solidão que ficara dentro de mim por

anos.

Ah, o pai! O pai vaquejava e vaquejava.

Ele tinha um olhar soberbo de ave.

E nos ensinava a liberdade.

[15] A gente então saía vagabundeando pelos matos sem aba.

Chegou que alcançamos a beira de um rio.

A manhã estava pousada na beira do rio desaberta moda

um pássaro.

Nessa hora já o morro encostava no sol.

[20] Logo adiante vimos um quati a lamber um osso de ema.

A tarde crescia por dentro do mato.

O lugar nos perdera de rumo.

A gente se sentia como um pedaço de formiga perdida

na estrada.

[25] Bernardo completava o abandono.

Logo encontramos uma criame de caracóis nas areias

do rio.

Quase todos os caracóis eram viúvos de suas lesmas.

Contam que os urubus, finórios, desciam naquele lugar

[30] para degustar as lesmas vivas.

Se diz que este recanto teria sido um pedaço do

Mar de Xaraiés.

Na beira da noite a gente estava sem rumo.

Bernardo apareceu e disse que vento é cavalo.

[35] Então montamos na garupa do vento e logo chegamos

em casa.

A mãe aflitíssima estava.

Ela cuidava de todos: lavava, passava e cozinhava

para todos.

[40] Porém à noite a mãe ainda encontrava uma horinha

para o seu violino.

Ela tocava para nós Vivaldi.

E a gente ficava pendurado em lágrimas.

Um dia que outro contei para a Mãe que tinha visto

[45] um passarinho a mastigar um pedaço de vento. A Mãe

disse outra vez: Já vem você com suas visões! Isso é

travessura de sua imaginação.

É a voz de Deus que habita nas crianças, nos passarinhos

e nos tontos.

[50] A infância da palavra.


(Adaptado de: BARROS, Manoel de. Menino do mato. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015)

É invariável quanto a gênero e a número o termo sublinhado no seguinte verso:


A

“A manhã estava pousada na beira do rio” (verso 17)


B

“O lugar onde a gente morava quase só tinha bicho” (verso 1)


C

“se a gente o retirasse da rede por alguma necessidade,” (verso 7)


D

“O lugar nos perdera de rumo.” (verso 22)


E

“A mãe aflitíssima estava.” (verso 37)