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Considerando a linha argumentativa desenvolvida no texto...

Considere o fragmento de texto abaixo para as questões 01 a 10:


[...] Como comentei na introdução, é comum que alguns autores, embora neguem o uso do “eu”, permitam, entretanto, o uso do “nós”, isto é, o emprego gramatical da primeira pessoa do plural. Devo dizer que acho a opção ainda mais estranha e curiosa do que a proibição anterior.

Penso que tais autores, se sentindo sufocados pela impessoalidade da terceira pessoa gramatical, porém, sem querer ceder à pessoalidade da primeira pessoa do singular, acabem tentando encontrar um meio-termo no “nós”, o que, a meu ver, é mero paliativo. É que, à exceção dos trabalhos elaborados em coautoria, soa muito estranho ler um autor se referindo a si como “nós”. Soa como uma esquizofrenia.

Para tentar justificar esse paliativo, já vi seus defensores argumentando que o uso da primeira pessoa do plural se justifica uma vez que o autor se apoia em diversas pessoas e em suas obras para poder desenvolver um trabalho científico. Assim, tentam fazer crer que o uso do “nós” é uma espécie de reconhecimento à colaboração dos demais autores que serviram de fonte às ideias do autor da pesquisa.

Ora, com todo respeito, trata-se de uma falácia. O argumento da suposta humildade do pesquisador revela-se, na verdade, uma presunção temerosa, que, penso, deve ser evitada. Nada lhe garante que os autores que lhe serviram de fonte de pesquisa chegariam às mesmas conclusões que as suas, ou que foram corretamente interpretados em suas ideias. Em verdade, não cabe ao pesquisador declarar a vontade de suas fontes, apenas interpretá-las com sua própria subjetividade que lhe é peculiar.

Além de gerar um ruído na comunicação, entendo que o uso da primeira pessoa do plural por um indivíduo que elabora sozinho um texto acadêmico representa uma afronta à lógica, já que nada justifica se referir a si como “nós”, quando se está completamente sozinho no ato de escrever. Sendo o caso de ser uma pesquisa que teve ajudantes ou colaboradores, uma forma de valorizar sua participação é torná-los coautores ou mencioná-los diretamente no trabalho. [...]


CERSOSIMO, Samuel Oliveira. O “eu” no trabalho acadêmico: considerações sobre a proibição ao uso da primeira pessoa do singular nos textos científicos. Disponível em: https://www.academia.edu/.

Considerando a linha argumentativa desenvolvida no texto, assinale a alternativa integralmente CORRETA.


A

Na produção de textos de divulgação científica, a primeira pessoa do plural é uma opção inadequada por evitar que o pesquisador se sinta sufocado pela impessoalidade da terceira pessoa gramatical.


B

Na produção de textos de divulgação científica, a primeira pessoa do plural é opção mais adequada do que a primeira pessoa do singular para evitar que o pesquisador comunique uma falsa modéstia.


C

Na produção de textos de divulgação científica, a primeira pessoa do plural não é uma opção adequada, haja vista a expressividade subjetiva que subjaz ao uso dessa estratégia linguística.


D

Na produção de textos de divulgação científica, a primeira pessoa do plural não é uma opção adequada, uma vez que não expressa humildade e, ainda, configura-se como uma afronta à lógica.