A Nova Era do divórcio
Por Alexandre Carvalho
- “Novelas da Globo aumentam o número de divórcios no Brasil”. Parece fake news de
- haters, mas não. Trata-se de um dado histórico. A conclusão é de um estudo de 2009, feito
- pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O que os estudiosos do BID não
- poderiam prever é o quanto os divórcios aumentariam no Brasil do século 21, por um motivo
- ainda mais insuspeito: a di...eminação de um vírus.
- Segundo o Colégio Notarial do Brasil, que congrega os tabeliães de notas e protestos,
- no primeiro ano da pandemia, em 2020, houve um aumento de 15% no número de divórcios
- em comparação com o ano anterior. Em 2021, então, o número de casais que oficializaram a
- separação bateu recorde: 80.573 divórcios con...ensuais, o maior da série histórica, que é
- registrada desde 2007.
- Um crescimento bastante e...pressivo. Mas não tanto quanto o que aconteceu no Reino
- Unido. Principal escritório de advocacia britânico com foco em litígios, o Stewarts, registrou em
- 2020 um aumento de 122% nos tratos de divórcio em relação ao ano anterior.
- Na China, onde os números costumam ser superlativos – e drones monitoravam ___
- ruas durante os lockdowns para garantir que ninguém saísse de casa –, houve 8,6 milhões de
- divórcios em 2020, segundo o Ministério de Assuntos Civis. Outro recorde: quase o dobro das
- separações que aconteceram em 2019.
- Sim, o início desnorteante da pandemia foi o gatilho para um boom de divórcios planeta
- afora. Motivos para a escalada nas tensões entre casais não faltaram, você sabe: o
- encarceramento no lar de ambos os cônjuges (condição que se estendeu indefinidamente para
- quem aderiu ao home office), perrengues financeiros, a necessidade de lidar com as crianças
- estudando em casa, distúrbios psicológicos (ansiedade, depressão, paranoia…).
- Ao impor uma coabitação 24 horas por dia, a pandemia expôs o desafio que é lidar com
- o marido ou a esposa o dia inteiro: não dava mais para desviar os olhos dos defeitos do outro,
- seus maus humores, implicâncias e pequenas manias irritantes.
- Nos EUA, porém, o fenômeno não ocorreu. O número de divórcios diminuiu durante a
- fase mais aguda da pandemia: de 2,7 separações em 2019 para 2,3 em 2020 (confirmando
- uma redução que já vinha ocorrendo ano a ano; em 2000, por exemplo, eram 4,0).
- Mas algo indica que pelo menos pensar mais em separar eles pensaram. A empresa
- americana Legal Templates, especializada em gerenciamento de contratos, fez um
- levantamento dos dados de seus clientes e identificou um aumento de 34% nas vendas de seu
- “acordo básico de divórcio” na primeira metade de 2020, em comparação com o mesmo
- período de 2019.
- O levantamento mostra outro ponto, que provavelmente se aplica ao resto do planeta.
- Os casais que mais se divorciaram na pandemia foram aqueles que ainda não estavam tão
- habituados assim um com o outro.
- A Legal Templates mostrou que os casados há menos de cinco anos foram os que mais
- se separaram em 2020: 58%. Aliás, quanto menor o tempo de união oficial, maior o aumento
- no índice de cada um para o seu lado. Enquanto, em 2019, pré-Covid, apenas 11% dos que se
- separaram tinham menos de cinco meses sob o mesmo teto, em 2020 essa porcentagem quase
- dobrou: foi para 20%.
- Estudiosos que analisaram esses dados chegaram ___ uma conclusão que faz sentido:
- casais que haviam se unido havia pouco tempo são menos calejados para enfrentar o maremoto
- que atingiu a praia conjugal na onda do vírus. Os parceiros mais longevos já tinham passado
- por outras crises. Talvez ilesos, talvez feridos. E muitos aprenderam a sair delas juntos.
- Aprendemos todos nós, aliás. Os porquês desse boom “separatista” e suas
- consequências levaram a um escrutínio por parte da comunidade científica, de onde emergiu
- uma montanha de evidências que trazem luz ___ questão – algumas, surpreendentemente,
- contrariando o senso comum.
(Disponível em: https://super.abril.com.br/comportamento/a-nova-era-do-divorcio/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa na qual a palavra “que” NÃO tenha sido empregada como pronome relativo.