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Leia o texto a seguir para responder às questões de números 11 a 15. Trata-se da apresentação de um tipo de recurso falacioso, utilizado por argumentadores para enganar seus interlocutores.
Argumento ad verecundiam (apelo à autoridade, dirigido ao sentimento de honra).
Em vez de fundamentos, utilizamos autoridades, especialistas, segundo os conhecimentos do adversário. Diz Sêneca: “qualquer um prefere crer a julgar por si mesmo”. Portanto, o jogo nos é mais fácil quando temos de nosso lado uma autoridade respeitada pelo adversário. E para este haverá tanto mais autoridades válidas quanto mais limitados sejam seus conhecimentos e suas capacidades. Se essas capacidades são de primeira ordem, haverá para ele muito poucas autoridades ou quase nenhuma. Quando muito, ele respeitará a autoridade de pessoas competentes numa ciência, arte ou profissão que para ele sejam pouco conhecidas ou de todo ignoradas; e mesmo assim com desconfiança.
Em contrapartida, as pessoas comuns têm profundo respeito ante os especialistas de todo gênero; para o vulgo há muitas autoridades que gozam de seu respeito; portanto, se não encontramos nenhuma autoridade adequada, podemos apelar a uma aparentemente adequada, ou citamos o que alguém disse com outro sentido ou num contexto diferente. E são as autoridades que o adversário não entende aquelas que, geralmente, mais efeito obtêm. Pode-se também, caso necessário, falsificar as autoridades e inclusive citar algumas que são pura invenção.
A maior parte das pessoas pensa, com Aristóteles, que “as coisas que parecem justas a muitos, dizemos que o são”. De fato, não existe nenhuma opinião, por absurda que seja, que os homens não se lancem a torná-la sua, tão logo se tenha chegado a convencê-los de que é universalmente aceita. A universalidade de uma opinião, se falamos a sério, não é uma prova nem um indício de veracidade. O que se chama opinião geral reduz-se, para sermos precisos, à opinião de duas ou três pessoas; e ficaríamos convencidos disso se pudéssemos ver a maneira como nasce tal opinião universalmente válida. Então descobriríamos que, num primeiro momento, foram dois ou três que pela primeira vez a assumiram e apresentaram ou afirmaram, e que os outros foram tão benevolentes com eles que acreditaram que as haviam examinado a fundo; prejulgando a competência destes, outros aceitaram igualmente essa opinião, e nestes acreditaram por sua vez muitos outros a quem a preguiça mental impelia a crer de pronto, antes que tivessem o trabalho de examinar as coisas com rigor. Assim cresce, dia após dia, o número de tais seguidores preguiçosos e crédulos.
Em suma, são muito poucos os que podem pensar, mas todos querem ter opiniões. E que outra coisa lhes resta senão tomá-las de outros em lugar de formá-las por conta própria?
(Arthur Schopenhauer. Como vencer um debate sem precisar ter razão. Adaptado)
Observe as seguintes informações da superfície textual destacadas do primeiro parágrafo:
Em vez de / tanto mais... quanto mais / Quando muito
É correto afirmar que elas expressam, respectivamente e nos contextos em que se encontram, as noções de
oposição / qualificação / finalização
contraste / quantidade / hipótese
modificação / contraposição / intensificação
substituição /
alternância / analogia / tempo