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Leia o texto, para responder às questões de números 12 a 14.
ENCONTRO
Meu pai perdi no tempo e ganho em sonho.
Se a noite me atribui poder de fuga,
sinto logo meu pai e nele ponho
o olhar, lendo-lhe a face, ruga a ruga.
Está morto, que importa? Inda madruga
e seu rosto, nem triste nem risonho,
é o rosto, antigo, o mesmo. E não enxuga
suor algum, na calma de meu sonho.
Oh meu pai arquiteto e fazendeiro!
Faz casas de silêncio, e suas roças
de cinza estão maduras, orvalhadas
por um rio que corre o tempo inteiro,
e corre além do tempo, enquanto as nossas
murcham num sopro fontes represadas.
(Carlos Drummond de Andrade. Claro enigma. Poesia e prosa.)
É correto afirmar que, no soneto, o eu lírico se refere
ao reconhecimento da autoridade do pai, num reencontro simulado.
à separação dos pais ainda na infância, num lamento comovido.
ao resgate da imagem paterna, numa representação de caráter onírico.
à recuperação do afeto paterno, numa descrição marcada pela emoção.
ao reencontro com o pai, narrado de um ponto de vista imparcial.