

Seu próximo nível começa aqui
Seu desenvolvimento não pode ter limites. Garanta sua Assinatura Ilimitada e libere uma preparação completa com os melhores professores do Brasil.
LEIA os artigos de opinião, Texto 1 e Texto 2, para responder às questões de 1 a 8.
TEXTO 1 - Atletas transexuais devem disputar competições femininas? SIM! Vitória contra a exclusão
Alexandre Saadeh (psiquiatra e coordenador do ambulatório Transdisciplinar de Identidade de Gênero e Orientação Sexual do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP)
[P1] São evidentes as diferenças biológicas nos corpos de homens e mulheres. Elas se constroem durante a puberdade, em alguns casos depois, mediadas pelos hormônios sexuais. Os hormônios androgênicos, também chamados de masculinos, são muito mais potentes e transformadores que seus equivalentes femininos. Por isso nossa preocupação no AMTIGOS (Ambulatório Transdisciplinar de Identidade de Gênero e Orientação Sexual), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, com as crianças e os pré-púberes que apresentam questões intensas, persistentes e consistentes de identidade de gênero.
[P2] Se podemos bloquear as mudanças físicas, até termos certeza de que se trata mesmo de uma menina ou de um menino, isso evita uma série de constrangimentos, exclusão social, cirurgias e sofrimento. Com isso, o corpo deixa de seguir o que a biologia determina, para se adequar a quem pertence aquele corpo. Se é menino, que seja menino; se é menina, que seja menina.
[P3] A introdução de hormônios específicos para essa mudança final, mas tão importante, só pode ser realizada após os 16 anos de idade. Com o bloqueio e a hormonioterapia específica, aquela pessoa vai desenvolver seu corpo de acordo com sua realidade psíquica, o que evita sofrimento e facilita a inclusão social. Essas mulheres e homens diferem muito pouco de qualquer homem ou mulher cisgênero (pessoas que não apresentam discrepância entre seu sexo biológico e sua identidade de gênero). Para essas pessoas, é óbvio que disputar competição feminina não será problema. Só significará a concretização do que aquele indivíduo vem buscando desde a infância. A questão fica mais complexa quando falamos de adultos que tiveram a puberdade regida pela biologia de seus corpos, com os quais não se identificam, e fazem depois a transição.
[P4] Transicionar um corpo masculino para um feminino, e vice-versa, é tarefa árdua e leva tempo. Quando falamos de esporte de alto desempenho, essas mudanças ganham contornos bem mais específicos. Se alguém era um desportista de elite, com treino intenso, musculatura específica, a transição de um gênero para outro pode ser ainda mais demorada. Quanto tempo? Depende do biótipo, da genética e das ações específicas dos hormônios tomados. Talvez meses sejam necessários para um corpo masculino se tornar feminino, o que implica perda de massa muscular, distribuição de gordura, agressividade etc. Quando tudo se estabiliza, aquele corpo se torna feminino. E por que não poderia participar de competições femininas?
[P5] Lógico que individualidades devem ser consideradas, mas se aquela pessoa se reconhece como mulher, transicionou (operando ou não) para o corpo feminino, cumpriu todas as exigências legais para mudança de nome e sexo civil, ou seja, é uma mulher legalmente, fenotipicamente e psiquicamente, por que não poderia disputar campeonatos femininos? Se o COI (Comitê Olímpico Internacional) determinou que cumprindo certas exigências, especialmente quanto ao nível hormonal de andrógenos, uma mulher trans pode jogar num time feminino, por que não podemos concordar e assumir que isso é uma vitória contra o preconceito?
[P6] É muito fácil afirmar que uma mulher trans teve seu desenvolvimento puberal como homem e que, assim sendo, ela desenvolveu musculatura, coordenação, orientação, sinapses cerebrais e formas de pensar e funcionar seu corpo como homem e não vai ser do dia para noite que perderá tudo isso. Esse raciocínio tem fundamento, é lógico. O uso constante de hormônios femininos e medicamentos antiandrogênicos, porém, vai mudar todos esses parâmetros, levando-os para padrões femininos. Quando uma dessas atletas está em quadra, não é um homem que saca, ataca ou defende, mas uma mulher que venceu muitas barreiras para estar ali. Mudar nosso olhar para reconhecer e aceitar isso se revela fundamental para que possamos assumir de verdade a diminuição do preconceito e da exclusão.
Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2018/02/atletas-transexuais-devem-disputar-competicoes-femininassim.shtml?loggedpaywall#?loggedpaywall>. Acesso: 10 fev. 2018. (Adaptado).
TEXTO 2 -Atletas transexuais devem disputar competições femininas? NÃO! Vantagem física indevida
Sérgio Negrão (ex-jogador de voleibol, pós-graduado em metodologia científica do treinamento desportivo pela Universidade do Grande ABC e técnico do Brasília vôlei).
[P1] Sou totalmente contra a possibilidade de uma atleta transexual participar de competição feminina por um motivo simples: genética. Considero transexual qualquer indivíduo cuja identidade de gênero difere daquela designada no nascimento. Essas mudanças podem ser provocadas por tratamento hormonal, sem a necessidade de alterações cirúrgicas. Essa é minha opinião.
[P2] Quero deixar bem claro que não sou contra a jogadora Tifanny Abreu ou qualquer outra atleta transexual disputarem a Superliga de vôlei. Ela não está infringindo nenhuma lei, pois uma resolução de 2015 do Comitê Olímpico Internacional já autorizava a participação em jogos femininos, mesmo sem a mudança de sexo por cirurgia. Considero equivocada, entretanto, a legislação que permite tal possibilidade. Temos que debater o assunto e, se for o caso, mudar esse entendimento. Minha justificativa baseia-se na premissa de que o que coloca Tifanny em quadra não é a cirurgia que fez, mas sim o nível de testosterona que ela produz.
[P3] Pois bem, se a questão é essa, podemos fazer um exercício hipotético: qualquer homem que esteja disposto a ter seu nível de testosterona reduzido (o que pode ser feito quimicamente através de injeções), pode jogar a Superliga. Basta se declarar transexual. Dessa forma, pela legislação atual, corremos o risco hipotético de ter uma equipe inteira de indivíduos que nasceram homens jogando uma competição feminina.
[P4] O assunto é delicado, mas precisa ser amplamente discutido. O movimento LGBT luta há décadas por direitos iguais e uma sociedade mais igualitária e justa. O movimento vem ganhando bastante espaço na sociedade moderna e conquistado avanços na área civil. Outro ponto importante é a conscientização da sociedade de que há outras opções sexuais além da classificação de masculino e feminino. Essa luta legítima por igualdade, todavia, não deve favorecer um gênero em detrimento de outro. Um indivíduo que nasceu homem sempre terá vantagens físicas em relação a um que nasceu mulher. São as leis da genética.
[P5] Apesar de me opor totalmente a atletas transexuais competirem na Superliga feminina, não quero marginalizar e ser excludente. Acredito que já passa da hora de reconhecermos um terceiro gênero no esporte. Sou a favor de criarmos uma nova categoria na Superliga, a LGBT, com regras próprias, altura de rede compatível e adaptações à nova realidade. Dessa forma, não iríamos excluir ninguém e toda a comunidade LGBT teria o direito de participar da maior competição interclubes da modalidade no Brasil.
[P6] As diferenças entre as atletas transexuais e as femininas estão claras e visíveis a todos. As vantagens físicas das primeiras sobre as segundas são evidentes. Acredito que o mais justo para todos é reconhecermos o terceiro gênero e uma das formas de concretizar essa nova visão é criar uma categoria específica.
Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2018/02/atletas-transexuais-devem-disputar-competicoes-femininas-nao.shtml>. Acesso: 10 fev. 2018. (Adaptado).
Uma falácia é um argumento falso, inconsistente ou inválido do ponto de vista lógico, mas que pode ser persuasivo no interior de um discurso. A falácia ladeira escorregadia consiste em empregar uma linha de raciocínio que parte de uma premissa que se deseja rejeitar, obtendo conclusões extremas e indesejáveis.
Assinale a alternativa em que a falácia da ladeira escorregadia ESTÁ sendo empregada.
“Apesar de me opor totalmente a atletas transexuais competirem na Superliga feminina, não quero marginalizar e ser excludente. Acredito que já passa da hora de reconhecermos um terceiro gênero no esporte. Sou a favor de criarmos uma nova categoria na Superliga, a LGBT, com regras próprias, altura de rede compatível e adaptações à nova realidade”. [TEXTO 2, P4].
“Qualquer homem que esteja disposto a ter seu nível de testosterona reduzido (o que pode ser feito quimicamente através de injeções), pode jogar a Superliga. (...) Dessa forma, (...) corremos o risco hipotético de ter uma equipe inteira de indivíduos que nasceram homens jogando uma competição feminina”. [TEXTO 2, P3].
“Se o COI (Comitê Olímpico Internacional) determinou que cumprindo certas exigências, especialmente quanto ao nível hormonal de andrógenos, uma mulher trans pode jogar num time feminino, por que não podemos concordar e assumir que isso é uma vitória contra o preconceito?”. [TEXTO 1, P1].
Se podemos bloquear as mudanças físicas, até termos certeza de que se trata mesmo de uma menina ou de um menino, isso evita uma série de constrangimentos, exclusão social, cirurgias e sofrimento. Com isso, o corpo deixa de seguir o que a biologia determina, para se adequar a quem pertence aquele corpo. Se é menino, que seja menino; se é menina, que seja menina. [TEXTO 1, P2].