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1 Guto Lacaz – Você não tem interesse pelo mundo que
alimenta a droga na favela, do banqueiro que recebe o
dinheiro lá no final, as armas de onde vêm? Porque no filme
4 e no seu livro a gente não vê isso.
Paulo Lins – Na verdade, a minha preocupação no Cidade
de Deus não era mostrar o que esse racismo, o que essa
7 segregação social e financeira provoca, como as pessoas se
transformam. Eu mostrei só o que acontece com essa política
que está aí... Por exemplo, um dia, eu cheguei na favela e o
10 cara, um branco, falou: “Pô, tô com uma ‘alemã’ aqui”. Aí,
quando eu estava em Munique, um brancão loirão me
perguntou (tinha um tradutor lá): “Como é que pode uma
13 criança de 10 anos com uma metralhadora na mão?” Aí eu
falei aquele negócio de quatrocentos anos de escravidão,
trezentos anos de colonização, cem de dominação financeira,
16 essas coisas todas que o Brasil passa, e que levam uma
criança até esse ponto. Isso é fácil de entender. O que não é
fácil de entender é como de um país rico como a Alemanha
19 sai uma arma desse tamanho e ninguém vê. É fabricado lá.
Como é que pode chegar arma da Rússia, dos Estados
Unidos da América, de Israel e da Alemanha aqui?
Caros amigos, ano VII, n.º 74. São Paulo: Casa Amarela, 2003, p.33 (com adaptações).
Julgue os itens que se seguem considerando as idéias e estruturas lingüísticas do texto apresentado.
Os aumentativos “brancão loirão” (ℓ.11) permitem inferir que o sujeito que questionou Paulo Lins em Munique não era brasileiro.
Certo
Errado