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No que diz respeito aos elementos coesivos do texto...

O texto a seguir é referência para as questões 01 a 05.


Violência e culpa

Natalia Pasternak


1 [...] Historicamente, ciência e sociedade não estiveram ao lado de mulheres vítimas de violência. Há apenas três décadas, em 1985,

2 houve tentativa na Associação Americana de Psiquiatria de incluir, no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais

3 (DSM), o Transtorno de Personalidade Masoquista, abraçando a ideia freudiana – ultrapassada há tempos – de que a mulher fica

4 com o agressor porque aprecia o sofrimento. A proposta foi criticada duramente por mulheres psiquiatras e psicólogas. Não há

5 evidência científica para justificar o diagnóstico. Era apenas uma tradução do senso comum patriarcal de boteco para o “psiquiatrês”.

6 Acuados, os psiquiatras trocaram o masoquismo por “Transtorno de Personalidade Autodestrutiva”, uma versão suavizada do

7 diagnóstico anterior, mas que ainda assim daria margem para que mulheres encurraladas em relacionamentos terríveis fossem

8 vistas “cientificamente” não como vítimas de um crime, mas como gente que precisa de terapia.

9 Mas à medida que temos mais mulheres de destaque fazendo ciência, absurdos assim vão sendo expostos e escancarados. Em

10 1988, a psicóloga Paula Caplan e a socióloga Margrit Eichler resolveram fazer uma nova sugestão de transtorno para ser incorporado

11 ao DSM: o Transtorno de Personalidade Dominadora Delirante.

12 Os requisitos para um paciente enquadrar-se eram, entre outros: ser incapaz de expressar sentimentos e de se colocar no lugar dos

13 outros; usar poder, silêncio ou ausência para evitar qualquer tipo de negociação ao lidar com conflito; acreditar que as mulheres são

14 responsáveis por tudo de ruim que acontece com esse paciente, enquanto todas as coisas boas são resultado de seus próprios

15 esforços e habilidades; necessidade incontrolável de exagerar suas conquistas e diminuir as conquistas de mulheres [...].

16 Elas não conseguiram aprovar a inclusão no DSM, mas exigiram que os mesmos critérios de exclusão aplicados à proposta fossem

17 adotados globalmente. A alegação (verdadeira) de que não havia pesquisa científica para embasar o transtorno delirante deveria

18 também pesar sobre o diagnóstico de personalidade autodestrutiva, que aliás tinha sido aprovado em votação, e não com base em

19 revisão da evidência! A vitória foi parcial: o transtorno autodestrutivo acabou aprovado, mas como um anexo, uma subcategoria, e

20 não como uma doença “própria”. E a redação incluiu a ressalva de que não deveria ser usado para violência doméstica.

21 Ciência não existe no vácuo, mas sim dentro de contexto social e histórico. Já houve diversas tentativas de sequestrar o jaleco e o

22 microscópio para justificar machismo, racismo e outras ideias que, em diferentes momentos da história, fizeram parte do senso

23 comum da elite de onde, tradicionalmente, são recrutados os cientistas. Aumentar a representatividade dentro da ciência é uma das

24 maneiras de evitar que estas distorções sigam prejudicando pessoas e influenciando políticas públicas.


Disponível em: https://oglobo.globo.com/blogs/a-hora-da-ciencia/post/2023/03/violencia-e-culpa.ghtml. Adaptado.

No que diz respeito aos elementos coesivos do texto, assinale a alternativa correta.


A

“que” (linha 8) refere-se a “gente” (linha 8).


B

“que” (linha 13) refere-se a “as mulheres” (linha 13).


C

“que” (linha 16) refere-se a “os mesmos critérios de exclusão” (linha 16).


D

“que” (linha 18) refere-se a “transtorno delirante” (linha 17).


E

“que” (linha 22) refere-se a “o jaleco e o microscópio” (linhas 21-22).