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Texto IV
“Saber gramática”, ou mesmo “saber português”, é geralmente considerado privilégio de poucos. Raras pessoas se atrevem a dizer que conhecem a língua. Tendemos a achar, em vez, que falamos “de qualquer jeito”, sem regras definidas. Dois fatores principais contribuem para essa convicção tão generalizada: primeiro o fato de que falamos com uma facilidade muito grande, de certo modo sem pensar (pelo menos, sem pensar na forma do que vamos dizer), e estamos acostumados a associar conhecimento a uma reflexão consciente, laboriosa e por vezes dolorosa. Segundo, o ensino escolar nos inculcou, durante longos anos, a ideia de que não conhecemos a nossa língua; repetidos fracassos em redações, exercícios e provas não fizeram nada para diminuir esse complexo.”
(PERINI, Mário A. Sofrendo a Gramática. 3. ed. São Paulo: Ed. Ática, 2003, p. 11)
Os pronomes demonstrativos destacados no texto cumprem papel coesivo uma vez que:
indicam uma referência ao tempo passado.
revelam a proximidade espacial do emissor.
remetem a ideias já mencionadas no texto.
antecipam uma ideia que será apresentada.