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No último parágrafo, os dois-pontos e o ponto de...

Leia o texto de Ivan Angelo, para responder às questões de números 08 a 14.

Livros no purgatório

Nos meus tempos de criança, o purgatório significava a segunda chance. É mais ou menos assim que vejo os livros dos sebos e dos buquinistas*.

E reparem que felizmente proliferam casas de livros usados na cidade.

No mercado de usados, livros são diferentes de carros, roupas, móveis ou eletrodomésticos. Ninguém se desfaz de livros porque não estão funcionando bem ou porque saiu um modelo de linhas mais modernas. Estão lá por desamor, ou por ser parte indesejada de um espólio, ou já por falta de serventia, decepção, economia de espaço. De certa forma, foram eles que se livraram de quem não os queria.

Nas estantes empoeiradas, vivem a dualidade: desprezados e procurados. Alguém achou melhor abandoná-los por uns trocados, outro alguém irá encontrá-los por acaso ou busca. E o preço? Livros novos têm o preço dos negócios, dos royalties, do papel, das tecnologias de impressão, do marketing, da distribuição, dos juros. Os livros velhos deixam para trás tudo isso, ficam só com seu conteúdo e raridade, em franciscana simplicidade. Corria a primeira metade do século XIX quando Honoré de Balzac disse: “É extremamente raro que um livro seja comprado pelo valor que tem, quase sempre ele é publicado por razões alheias a seu mérito”.

Uma coisa é certa: que seria das casas de livros velhos se não fossem as casas de livros novos, de onde eles sairão para cumprir seu destino de amor e desamor, encontros e desencontros?

(VEJA SP, 14.12.2005. Adaptado)

*buquinista: vendedor de livros usados

No último parágrafo, os dois-pontos e o ponto de interrogação foram empregados pelo autor para, respectivamente:


A

apresentar uma exemplificação do que considera “coisa certa”; fazer uma indagação para a qual ele não tem resposta.


B

interromper o pensamento para definir “coisa certa”; levantar uma dúvida a respeito da concorrência desleal entre livrarias.


C

atribuir à ideia de “coisa certa” o sentido de aumento de sebos na cidade; permitir ao leitor externar seu ponto de vista.


D

esclarecer o que se deve entender por “coisa certa”; questionar o leitor incluindo-o na discussão proposta pelo texto.


E

opor-se à interpretação dada pelas pessoas à ideia de “coisa certa”; enfatizar seu sentimento de tristeza diante do menosprezo pela leitura.